O interesse chinês
E, de repente, os chineses passaram de piada à Futre para se tornarem concorrentes sérios nas privatizações. Ainda não se sabe se é com eles que o Governo espera corrigir a trajectória da dívida pública em 2012, mas a ofensiva é séria. Só no último mês, a China Three Gorges ofereceu o preço mais alto pela EDP (2,7 mil milhões de euros), a State Grid, empresa estatal chinesa, entrou na corrida à REN (Redes Energéticas Nacionais) e há um mês a petrolífera Sinopec juntou-se à Galp no Brasil.
Faz sentido? Faz. Nos últimos anos, Pequim tem tentado puxar know-how europeu - o interesse na EDP é um bom exemplo - para transformar um modelo de produção desactualizado num concorrente mundial de luxo. De todos os emergentes - Brasil, Índia, – o atraso chinês é o mais significativo, mas também o que tem maior crescimento potencial. Nas últimas semanas, Pequim baixou impostos sobre o consumo, num esforço para estimular o mercado interno e a procura por produtos com maior valor acrescentado. Para já, a China ainda precisa de aliados neste caminho tecnológico. O que é bom para a Europa e para o Governo, que tem no interesse chinês na EDP e na REN um candidato aos seus ovos de ouro.
Só que há outro lado nesta equação. No último mês, o preço das casas novas caiu em Pequim, a a massa monetária atingiu para um mínimo de dez anos e a bolsa de Shangai já caiu tanto como os Estados Unidos antes da crise de 1933. Com dinheiro a sair do país, três mil milhões de reservas em moeda estrangeira a desvalorizar e o investimento em dívida europeia hipotecado, o milagre asiático está inquinado.A Fitch escrevia assim este mês: “A China está viciada em crédito” e a dependência não é fácil de ultrapassar. Nos últimos anos, Pequim cresceu a comprar tudo o que mexia - casas, projectos, dívida, moeda. Só que o investimento cresceu com muita dívida e pouco consumo, mostrando que o mercado interno ainda não está suficientemente maduro para suportar o boom chinês. A solução, para já, é crescer via aquisições, projectando o investimento chinês em mercados externos. A corrida às privatizações agradece.































