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André Macedo

Por André Macedo

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Editorial

A Gisele Bündchen na seleção

08/06/2012 | 15:41 | Dinheiro Vivo

Realmente é muito simbólica a questão dos jogadores e dos carros deles. Na véspera do jogo de amanhã com a Alemanha é isso que se discute no país. Havia indignação: muita. E demagogia: muitíssima. Os Lamborghini, os Mercedes e os Porsche. O parque automóvel sempre foi uma obsessão nacional. O problema não é termos uma boa equipa, mas um meio-campo sofrível – os carros dos futebolistas é que nos lixam completamente. Falta-nos meio-campo, mas isso é um detalhe perante as navalhadas que nos apetece cravar no Lamborghini. 

Portugal não gosta de sucesso. Dá-se mal com ele. Os ricos, os capitalistas – até os que ganham o dinheiro com o suor do corpo, como os atletas – metem-nos algum nojo. Chateiam a malta. São uns provocadores. Deviam disfarçar-se, ser humildes. Andar de Seat. Mas eu não vou nesta conversa. Quero falar-vos do que me preocupa: o meio-campo da seleção. Há ali muita mediania, muito passe falhado. Não temos um organizador, um cérebro, um maestro de chuteiras. Não temos o Rui Costa ou o Deco. Temos o Moutinho. Eis o nosso problema. 

Há pessoas – há equipas – que conseguem muito com pouco. Gente com talento mediano que atinge coisas extraordinárias. Carreiras de sucesso. Êxito. Até lambem os dedos com a fartura. Aquele careca que anda com a loira pecaminosa – por mil trovões, como conseguiu? Mais exemplos: a Grécia no Euro 2004, a Dinamarca em 1996. O que acontece quando se dá este milagre? Não é apenas sorte. É mais do que isso. Chama-se confiança, segurança, arrogância. Portugal ainda tem isto em dose curta. 

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