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Ana Rita Guerra

Por Ana Rita Guerra

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As condições da fábrica Foxconn estão a por a empresa em cheque

Apple. Entre a espada e os chineses

21/02/2012 | 00:00 | Dinheiro Vivo

A Apple está a ter o seu momento Nike. Ou o seu momento Starbucks. O nome é diferente, o conceito é o mesmo: grandes marcas que são apanhadas num escândalo que envolve trabalho escravo (ou perto disso) nalguma fábrica longínqua. O nome é Foxconn, a principal parceira asiática da Apple, a quem encomenda a montagem dos iPads e iPhones.

A Foxconn reflecte tudo aquilo que no Ocidente se considera inaceitável. Condições de trabalho deploráveis, com disciplina militar, empregados que passam seis a sete dias por semana a trabalhar em turnos de 14 horas. Sacrifícios que permitem iPads a 499 euros e que caem mal quando a Apple apresenta vendas e lucros recorde.

Há aqui alguma injustiça quando se fala apenas da Apple, já que a Foxconn também monta as consolas Xbox 360 da Microsoft e os computadores da Dell e da HP. Nenhuma destas empresas se pronunciou sobre os seus contratos com a empresa chinesa.

Mas é natural que o foco recaia sobre a Apple. Basicamente, a marca beneficiou nos últimos anos de uma linha de produção com condições precárias e inaceitáveis pelos padrões ocidentais. Se produzisse o iPad noutro lado, não o venderia por estes preços.

Pior.Isto já se sabe há pelo menos dois anos. Sim, a Apple pediu uma inspecção da Fair Labor Association e permitiu à ABC News que entrasse nas fábricas para fazer reportagem. Mas porquê só agora? No ano passado houve suicídios na Foxconn. Em 2010 reportagens televisivas denunciaram a situação. Estas medidas deviam ter sido tomadas há muito mais tempo.

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