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Pedro Bidarra

Por Pedro Bidarra

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Da manifestação de sábado não ficou nem uma palavra de ordem, porque o que saiu à rua foram banalidades

Isto já não é um país de poetas

21/09/2012 | 00:00 | Dinheiro Vivo

As manifestações de indignação pelas medidas que o governo quer experimentar nos portugueses foram um sucesso de mobilização graças ao poder das redes sociais. Infelizmente o “texto” foi mau. Tão mau que nada ficou; uma palavra de ordem, um slogan, um pensamento, nada de memorável e politicamente relevante para o movimento que acabou sem nome. De tudo o que se viu apenas sobrou uma fotografia de uma giraça com um polícia. Uma imagem de concórdia e paz que não podia ter calhado melhor ao governo que foi absolvido de toda a culpa quando os organizadores escolheram a palavra de ordem “Que se lixe a troika”.

Que pobreza! Mas ninguém teve uma ideia melhor? Ninguém soube convocar um poeta, um escritor, um redactor publicitário ou até um destes novos jornalistas semi-iletrados, c’os diabos!?

“Que se lixe a troika”, e a profusa “Vão-se foder”, não ajudaram a causa da indignação. Para além de impropérios são banalidades - o que é muito mais grave. Como impropérios, a imprensa não lhes pega pois não servem para debates e entrevistas. Ninguém vê a Judite de Sousa a perguntar ao Passos Coelho, “Senhor primeiro-ministro: o sr.  primeiro-ministro  está disposto a ir-se foder como pediu no domingo passado mais de meio milhão de portugueses?”; e o Pedro ... “Sabe Judite, um  primeiro-ministro tem de pôr os interesses do país em primeiro lugar: um primeiro-ministro, por muito que tenha vontade, não pode ir foder-se quando em causa está o interesse nacional”. E depois são impropérios banais que não alimentam conversa pois as conversas alimentam-se de assunto e não de banalidade.

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