Ferreira do Amaral: "A prioridade do Governo não é cortar o défice, é cortar salários"

D.R.
João Ferreira do Amaral não acredita que Portugal consiga atingir o défice de 4,5% do PIB com que está comprometido para 2012. O professor do ISEG e antigo conselheiro dos presidentes Mário Soares e Jorge Sampaio considera que a recessão será mais profunda do que o Governo estima. E acrescenta que o Executivo está mais preocupado em esmagar salários do que em cumprir o défice.
Concorda com o Presidente da República em relação à injustiça das novas medidas de austeridade?
Sim. Estas medidas terão um impacto recessivo maior do que se esperava. É completamente iníquo.
Serão eficazes contra o défice?
Não me parece que a prioridade do Governo seja o défice público, mas os custos salariais. Está a ser aplicada uma fórmula para ganhar competitividade que passa por gerar desemprego, aumentar o horário de trabalho e flexibilizar a legislação, conseguindo assim baixar o nível geral dos salários. É um modelo que sempre foi discutido, mas nunca foi aplicado com esta dureza. E estou convencido de que não funciona em Portugal.
Porquê?
As famílias estão demasiado endividadas. Esta fórmula até pode dar resultado se o ajustamento necessário for pequeno e as famílias tiverem menos dívidas. Neste caso, vai provocar um aumento significativo do incumprimento junto da banca.
Não é só o problema da equidade; há ainda a estratégia económica?
Parece-me que a preocupação do Presidente foi chamar a atenção para o problema da equidade, mas também para o facto de as medidas serem erradas. A estratégia é, de facto, errada.

A estratégia de redução do nível salarial não resultará devido ao endividamento das famílias portuguesas


































