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Paulo Ferreira

Por Paulo Ferreira

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A conversa informal entre Vítor Gaspar e Wolfgang Schauble mostra que Portugal descolou da Grécia

Quando o segredo para ter é nunca pedir

10/02/2012 | 00:26 | Dinheiro Vivo

Pode parecer um contra senso, mas é mesmo assim: é o facto de o Governo português sempre ter rejeitado, até agora, qualquer facilitismo no cumprimento do programa assinado com a troika - recusando mais tempo, objectivos mais brandos ou a necessidade de mais dinheiro - que começa a abrir a porta à flexibilização desse duro caderno de encargos, verbalizado pelo ministro alemão Wolfgang Schauble.

Há um ano e meio que Portugal deixou de ter credibilidade junto dos seus credores. Primeiro junto dos bancos e do mercado financeiro que, durante anos, nos emprestaram a juros baixos sem temerem perder esses investimentos. Depois, desde Maio do ano passado, junto da troika internacional, que nos obrigou a corrigir os excessos para nos salvar da bancarrota.

Ora a confiança dos credores não se recupera com pedidos de moratórias, com a sinalização de que, afinal, não vamos conseguir cumprir aquilo com que nos comprometemos há apenas oito meses. O aluno que durante anos foi cábula profissional não se credibiliza pedindo o constante adiamento das datas dos exames.

A conversa informal entre Vítor Gaspar e o seu homólogo germânico, captada pela TVI esta quinta-feira, é paradigmática a esse nível.

Ela mostra que aos olhos do nosso principal credor - é a Alemanha que garante a fatia mais volumosa dos empréstimos que têm mantido o nosso país a funcionar - Portugal descolou da Grécia. Atenas promete e não cumpre, arrasta os pés com as medidas duras e cada avaliação do programa da troika é transformada num desgastante braço-de-ferro. Lisboa esforça-se e cumpre, assumindo os custos pesados da austeridade, e tudo fazendo para honrar o que acertou com os credores. A Grécia não tem emenda. Ou pelo menos comporta-se como tal. Portugal parece ter emenda. Ou pelo menos comportamo-nos como tal (nunca fiando na nossa emenda... Esta é a terceira ajuda externa que pedimos em 35 anos).

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