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António Perez Metelo

Por António Perez Metelo

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Depois de um ano de afundanço económico global, o de 2009, com o PIB em Portugal a recuar 2,9%, o produto interno voltou ao crescimento

Tudo sob controlo

17/02/2012 | 22:00 | Dinheiro Vivo

Os políticos lá terão as suas razões, mas sempre me fez muita espécie porque será que os governantes (de qualquer quadrante) omitem informação aos representantes de todos nós - os deputados - ou então decidem dizer coisas taxativas sem explicitarem no que se baseiam para as proferir. Ontem, na Assembleia da República, Passos Coelho afirmou que "os dados do desemprego no quarto trimestre de 2011 são consistentes com o cenário que traçámos, bem como com a meta de 13,4% para 2012 (de média anual, face aos 12,7%, no ano passado)".

Recordemos. Depois de um ano de afundanço económico global, o de 2009, com o PIB em Portugal a recuar -2,9%, o produto interno voltou ao crescimento de +1,4%, em 2010, o que não evitou o agravamento do desemprego: em 2009, havia 528 600 desempregados, em média; em 2010, esse valor subiu para 602 600 (+74 mil). Em 2011, o PIB contraiu-se -1,5% e o desemprego subiu 103 500 unidades, passando para 706 100 (taxa anual de 12,7%). Para que a afirmação de Passos Coelho seja certeira, o PIB de 2012 duplicará o recuo de 2011 (-3%) e, ainda assim, o novo aumento de desempregados teria de reduzir-se para menos de metade do registado no ano passado (+40 mil).

Uma coisa não casa com a outra: ou o produto cai na ordem de grandeza esperada e o desemprego cresce mais do dobro do valor implícito na afirmação do primeiro-ministro, ou então o PIB ficará notoriamente acima do previsto, o que, para já, não parece plausível. (Tudo o que se ouve em matéria de previsões carrega, pelo contrário, os números com cores mais negras...) O primeiríssimo sinal de que a crise possa estar a perder força é o do indicador da atividade económica do Banco de Portugal, com um valor negativo, em janeiro de 2012, de -2,7, ligeiramente melhor que em dezembro de 2011, que fora -2,9. No entanto, outros indicadores ainda não corroboram uma possível desaceleração da descida da economia.

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