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António Perez Metelo

Por António Perez Metelo

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O ano que ainda vai no início será muito pior do que 2011, a menos que se criem bons projetos empresariais e emprego

Hemorragia

09/03/2012 | 20:00 | Dinheiro Vivo

Agora já temos, nas contas do INE, um retrato do que se passou na economia em 2011. Consumos privado e público que, somados, representam sete oitavos do produto interno (PIB), caíram 3,9%. Os do Estado acentuaram a queda no último trimestre, seguramente pela ação política do Governo PSD/CDS. Mas a queda mais forte da procura interna, de 5,7%, contém o recuo (sem precedentes nos 16 anos com dados estatísticos comparáveis) tremendo de 14% no investimento. 

A despesa com máquinas e equipamentos recuou 10,1%; a construção ficou 11,5% abaixo de 2010; o material de transporte contraiu 22,9%! É Portugal a encolher-se, sobretudo face ao futuro: o investimento nunca teve uma expressão tão reduzida no PIB e, em euros comparáveis, fica-se um terço abaixo do desempenho mais pujante, o de 2001. 

O tecido empresarial está a sofrer o maior impacto negativo de que há memória, não só por quebra do consumo interno, expressão do ajustamento em curso das finanças familiares. A isso soma-se o fecho de unidades não suficientemente competitivas mais as que se encontram em processo acelerado de reconversão produtiva. O ano de 2011 só não se saldou por uma recessão da dimensão da de 2009, graças ao bom desempenho do comércio externo, no qual as exportações cresceram 7,4%, em volume, enquanto as importações - com o desfalecimento da procura interna - eram arrastadas para um recuo de 5,5%. 

Contas feitas, o PIB (em euros correntes) recuou 1560 milhões de euros, mas o défice externo diminuiu quase 5600 milhões! Os estrategas desta política económica olham, enlevados, para estes números. Era exatamente isto que pretendiam e, por isso, a orientação continuará em 2012. Só que o recuo do consumo das famílias será maior que em 2011 e as exportações vão lutar com ventos contrários da procura externa, vindos da Europa. 

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