Gaspar: "Tentámos o estímulo económico, mas não resultou"

João Girão
A defesa da austeridade é cada vez mais complicada para os políticos europeus. Vítor Gaspar tem uma missão ainda mais complicada, com o desemprego a aumentar de forma exponencial e a economia a contrair-se da mesma forma. Daí que se multipliquem as vozes contra a austeridade e a favor de um estímulo à economia. Em declarações ao The New York Times (NYT), proferidas há uma semana, mas só ontem publicadas no Dealbook, o ministro das Finanças diz que isso foi tentado em Portugal, "mas não resultou".
"Em 20008 foi tentada uma abordagem keynesiana, mas o resultado foi que ainda tornou as coisas piores", disse Vítor Gaspar ao jornal norte-americano, frisando que Portugal pode ser o exemplo de que "políticas expansionistas de curto-prazo podem ser contraproducentes". Para Vítor Gaspar, o pensamento de Keynes tem "algumas limitações"e que não leva inevitavelmente ao crescimento económico.
A grande luta de Portugal, diz Gaspar, é mesmo ganhar a confiança dos mercados. Com os juros ainda substancialmente mais altos do que os exigidos a Irlanda, Espanha e Itália, o ministro das Finanças adianta ao NYT que tais valores "não reflectem a actual situação".
Mas a verdade é que existe o receio de Portugal necessitar de um segundo resgate financeiro, já que poucos investidores acreditam que o país esteja em condições de regressar aos mercados em 2013. Mas, como disse Vítor Gaspar ao NYT, tal visão enferma de um problema: as reformas impostas pela troika são exactamente o que Portugal precisa e serão implementadas. Palavra de ministro, a braços com cerca de um milhão de desempregados numa população que cabe inteira na cidade de Nova Iorque...

Vítor Gaspar diz que abordagem à crise em 2008 só veio piorar a situação.






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