Economistas concordam com o Presidente: resgate será bom para economia portuguesa e é cedo para aproveitar boleia para renegociar
Solução para Espanha será igualmente benéfica para Portugal

Pedro Passos Coelho e Mariano Rajoy
Nuno Pinto Fernandes
12/06/2012 | 00:00
| Dinheiro Vivo
O Presidente da República, Cavaco Silva, considera que a solução encontrada para a banca em Espanha será benéfica para Portugal. "A solução dos problemas da banca espanhola será benéfica para a recuperação portuguesa atendendo à interpenetração que existe entre as economias dos dois países", afirmou ontem Cavaco Silva, explicando que Espanha poderá começar a crescer assim que a sua banca obtiver maior liquidez.
"É de todo o interesse da União Europeia que Espanha resolva os problemas do seu setor bancário", o que não só é benéfico para uma maior estabilidade da Zona Euro, como é essencial para Portugal, defendeu ainda o Presidente da República, convicto que "se encontrará uma solução [no âmbito do processo negocial] benéfica para o conjunto de todos os países e também para Portugal", sem nunca referir, porém, a passibilidade de Portugal aproveitar a oportunidade para renegociar o seu programa de ajuda externa.
Já Pedro Passos Coelho considera que "não faz sentido" o Governo tomar qualquer eventual iniciativa nesse sentido numa altura em que "não são ainda conhecidas as condições que serão aplicadas a Espanha". Mas reiterou ter "a certeza" de que se porventura houver "condições mais vantajosas para Espanha", as mesmas serão estendidas aos outros países que estão igualmente a beneficiar de programas de assistência financeira, como Portugal, Grécia e Irlanda. Para o primeiro-ministro, é preciso esperar para conhecer o "quadro de condicionalidade específico adaptado ao tipo de financiamento que vai ser efetuado" e "não vale a pena estar a fazer conjeturas".
Também o presidente da Associação Portuguesa de Bancos, Faria de Oliveira, é de opinião que o acordo de ajuda europeia para a recapitalização da banca espanhola "é positivo" para Portugal, porque "elimina a incerteza sobre o processo de reestruturação das entidades financeiras de Espanha em dificuldades e fortalece o sistema financeiro espanhol". E lembra que "só podemos beneficiar com um sistema bancário espanhol recapitalizado e preparado para apoiar a economia", uma vez que "as economias de Portugal e Espanha estão muito integradas", acrescentando que , sendo o nosso principal parceiro comercial, "uma economia espanhola sã é muito importante para contribuir para o nosso crescimento".
Em declarações ao Dinheiro Vivo, o economista João Cantiga Esteves partilha desta opinião, na medida em que ao fortalecer o sistema financeiro, reduz-se alguma incerteza que pairava sobre a economia espanhola. "É de esperar que com este plano a banca espanhola consiga algum crédito acrescido às empresas, criando condições para algum crescimento da economia e do emprego em Espanha", o que pode ter um efeito positivo para Portugal, explica o professor do ISEG, lembrando que "25% das exportações portuguesas, o principal motor do nosso crescimento, vão para Espanha".
O economista Medina Carreira concorda, pelos mesmos motivos, que o plano para Espanha "é muito benéfico" para Portugal, mesmo que venha acompanhado por mais austeridade, já que "esta se destina a pôr em ordem as contas públicas".
Já Pedro Cosme Vieira, da Universidade do Porto, está "bastante pessimista" em relação a este resgate, que pode não ser suficiente, trazendo consequências para Portugal, como o aumento do desemprego (leia aqui entrevista na íntegra).