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Ricardo Reis

Por Ricardo Reis

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Os banqueiros reagem mal aos pedidos para aumentarem os rácios de capital. Eis porque estão errados

A banca foge do capital?

16/03/2013 | 00:00 | Dinheiro Vivo

Há poucas semanas, saiu um livro de dois académicos, Anat Admati e Martin Hellwig, com um argumento poderoso: aumentar os rácios de capital dos bancos, dos atuais 3% a 10% para 30% a 50%, era a melhor forma de garantir a estabilidade do sistema financeiro. Provavelmente, esta pequena medida seria superior aos milhares de páginas de novos regulamentos sobre o sistema financeiro que vão entrar em vigor nos EUA e na Europa.

Nas últimas décadas, as instituições financeiras habituaram-se a viver com uma enorme alavancagem. Por cada euro que um banco português tem dos acionistas, ele pede emprestado algures entre 9 e 19 euros para investir 10 a 20 euros. Este financiamento a crédito é altamente lucrativo: se o investimento passa a valer 22 euros em vez de 20, então depois de pagarem os 19 do empréstimo os acionistas do banco acabaram de triplicar o euro que investiram. Também é altamente arriscado: se o investimento valer antes 18 euros, então não chega sequer para pagar o empréstimo.

Num mundo ideal, ninguém estaria disposto a emprestar estas quantias aos bancos, tendo em conta a probabilidade de não ser pago. Mas porque os Estados salvam os bancos da falência, pagando aos seus credores, o risco é reduzido. Os acionistas sim, têm muito risco, e por isso qualquer banqueiro dirá que lhe fica mais caro vender ações e arranjar investidores do que vender obrigações e conseguir créditos. Durante a crise de 2008-2009, ou nas recapitalizações dos bancos portugueses, os acionistas perderam muito, mas quem emprestou ao Citigoup ou ao Banif não perdeu um cêntimo.

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