Chamar a atenção apenas quando se quer uma mudança ou uma promoção não é um erro, é uma pura perda de tempo
À procura de emprego? Aprenda com os políticos

Faça uma campanha permanente
D.R.
24/04/2012 | 00:00
| Dinheiro Vivo
O trabalho de cuidar da sua imagem profissional é permanente: começa quando põe o pé na empresa, de manhã, e continua nas redes sociais. Torne-se visível ou… desapareça de vez.
As campanhas políticas costumavam ser períodos curtos e frenéticos antes de uma eleição - após os quais o candidato vencedor se entregava à tarefa nobre de governar. Mas nas últimas décadas, a política e a elaboração de políticas começaram a misturar-se. Os assessores políticos assumiram funções na Casa Branca, e as sondagens começaram a orientar a tomada de decisões - "A Campanha Permanente", como Sidney Blumenthal, jornalista (e mais tarde membro da equipa de Clinton), lhe chamou, de forma profética, no seu livro lançado em 1980.
O advento das notícias por cabo 24 horas por dia (e mais, da Internet) abriu uma grande boca escancarada, ávida por conteúdo. Os políticos sabiam que seriam dissecados constantemente, não apenas durante o período de campanha, com moderadores insaciáveis em programas tipo “Prós e Contras” que debatem quem está na crista da onda e quem vem por aí abaixo. A maioria das pessoas - até antigos operacionais políticos, como eu - concordam que isto é mau para a democracia. Mas os candidatos aceitaram isto como a nova normalidade e, com especialistas experientes nas equipas de relações públicas sempre disponíveis, acabaram por se contentar.
Contudo, o problema real não é o impacto sobre os políticos.
É o facto de também se esperar que todas as outras pessoas - incluindo os profissionais normais - façam uma manutenção constante da marca pessoal, e a maioria delas nem sequer se apercebe.
Certo, provavelmente têm uma conta no Facebook e poderão até estar no Twitter. Mas não reconhecem que estas já não são ferramentas de comunicação pessoais, ou um meio de fortalecer laços fracos mas usadas como redes de conhecimentos. Na verdade, são critérios pelos quais serão avaliados no futuro. Da mesma forma que Michael Deaver assegurou que Ronald Reagan aparecesse sempre à frente de um cenário perfeito e pitoresco - e definiu a norma para todos os líderes subsequentes - você é agora responsável por cuidar da sua imagem.
E infelizmente, não é suficiente preocupar-se só no "período de eleições" - isto é, quando quer ser promovido ou está à procura de um novo emprego. A campanha permanente é verdadeiramente contínua, e todos os candidatos bem-sucedidos (ao emprego ou cargo político) precisam de reconhecer algumas verdades novas:
A sua reputação precede-o. Qualquer empregador com um mínimo de bom senso vai examiná-lo na Internet antes mesmo de se preocupar em falar consigo. Num mundo em que demasiadas pessoas à procura de emprego fabricam partes dos seus currículos, a Internet pode fornecer verificação valiosa de terceiros em como você é o que diz ser. É também a sua oportunidade para se distinguir dos outros. Se a sua presença online são as vendas no eBay ou horários de corrida do seu clube de desporto, você vai parecer um amador.
Se é invisível, provavelmente é uma fraude. Os currículos e até mesmo as cartas de apresentação inteligentes vão tornar-se cada vez mais sem significado quando os empregadores estiverem à procura não de palavras, mas de conhecimentos e resultados demonstrados. Se tem uma marca pessoal forte online, já ganhou. E se não tem? Uma firma para a qual trabalhei esteve quase para não contratar um executivo experiente e qualificado porque, além de não ter praticamente nenhuma presença online - suspeitou fortemente que ele tinha inventado a sua experiência profissional. Na realidade não tinha, mas o processo complexo que foi verificar a sua história quase lhe custou o emprego.
Você progride ou estagna. É um facto: o resto do mundo não lhe está a prestar nem um pouco da atenção que gostaria. Passou os últimos anos a desenvolver novas competências e capacidades - mas o seu chefe e colegas nem dão por isso. A única maneira de poder demonstrar os seus novos conhecimentos a um público vasto - que, na realidade, o poderá querer contratar - é “vender-se” como um especialista público, da mesma forma que um candidato a um cargo público o faria. Online, crie um fluxo de conteúdo importante através do twitter, do seu blogue, e sendo citado pelos meios de comunicação. Offline, cultive a sua reputação através do envolvimento em associações profissionais, eventos em que seja orador e da sua rede de conhecimentos profissionais.
Muitas pessoas não querem lidar com a maçada de uma "campanha permanente de carreira." Acham que é demasiado trabalho refletirem sobre a sua marca pessoal, manterem a sua “pegada” nas redes sociais ou cultivarem relações quando não estão à procura de um novo emprego. Estas são as pessoas que vão perder. Quer queira ou não entrar no jogo, ele está a acontecer à sua volta. Aqui ficam três formas - copiadas dos candidatos que melhor sabem fazê-lo - para poder ganhar a sua campanha pessoal:
1. Monitorize. Acompanhar todas as menções nos meios de comunicação antes significava uma frota de estagiários cheios de sono a entrar às 6 da manhã e a fazer o “clipping”, colagem e fotocópias de um pacote de artigos. Felizmente, o Google acabou com esta crueldade, que eu próprio já tive de suportar. Configure já um Alerta do Google para si, para a sua empresa e para quaisquer empresas que queira ter debaixo de olho.
2. Controle o diálogo. Os políticos aprenderam que se não revelarem material para preencher os espaços (comunicados de imprensa, propaganda e textos diversos), os meios de comunicação - ou os seus rivais - o farão por eles, e isso não vais ser bonito. Alguém vai controlar o diálogo e poderá muito bem ser você. Comece a escrever no seu blogue ou a gravar os seus podcasts agora.
3. Crie a sua base de fãs. Quando um candidato é atacado, tem defensores - armados com argumentos persuasivos - preparados para refutar as acusações negativas. E também tem um batalhão proativo de redatores de " carta ao editor", apimentando os seus jornais locais com missivas laudatórias. Quem faz parte do seu clube de fãs? Comece agora a recorrer a colegas de confiança, amigos e aliados. Se tiver um objetivo profissional, eles poderão ajudá-lo incentivando-o e procurando orientações, por exemplo.
Dorie Clark é consultora de estratégia de gigantes como o Google, a Universidade de Yale ou o National Park Service. É autora de Reinventing You: Define Your Brand, Imagine Your Future (Harvard Business Review Press 2013).

Avançar com a sua marca pessoal requer vigilância constante. Quais são as suas estratégias de campanha?