Sergio Fernández compilou num livro 50 erros que cometeu na sua PME e solucionou-os. O objetivo é orientar pequenos empresários
Quer viver sem chefe? 10 dicas para não cometer erros

Contratação coletiva perdeu muito peso
D.R.
07/05/2012 | 19:08
| Dinheiro Vivo
Nos dias de workshops, o espanhol Sergio Fernández sobe ao palco, pega numa nota e pergunta à audiência: "O que é preciso fazer para ter esta nota?". Todos tentam a sorte: uns pensam em negócios especializados, outros apresentam projetos de trabalho, outros traçam planos de resgate para a nota. Mas nenhuma pessoa faz o óbvio: subir ao palco e ir buscar a nota. "Isto é ação: pensa menos e faz mais".
Sergio Fernández é jornalista e autor do livro "Viver sem chefe: trabalhar de forma independente", editado em Portugal pela Marcador. Estudou Relações Públicas na Universidade Complutense de Madrid, mudou-se para Londres, voltou a Espanha e montou uma mini-agência de comunicação especializada em ONG's.
Na altura, sentiu necessidade de ler livros relacionados com pequenos negócios e que dessem alternativas aos empreendedores para conseguirem resolver os problemas com que se debatiam no dia a dia. Só que, à medida que procurava autores e livros úteis para os seus problemas, foi percebendo que os livros eram dedicados às grandes empresas e aos grandes empresários. E não se revia nos conselhos.
"Dei-me conta de que, todos os livros de empresas que existiam eram para os grandes empresários. Cometi várias falhas e interpretei isso como uma necessidade de mudança de rumo. O que fiz foi, ao mesmo tempo que mudava de direção e me dedicava ao desenvolvimento pessoal - o assunto a que me dedico agora -, recompilei os 50 erros que cometi como empreendedor e tentei oferecer as soluções que encontrei ou que encontraram outros colegas."
Para Sergio, o sucesso de um negócio por conta própria passa por procurar e encontrar o "talento pessoal, a vocação, a visão". O espanhol acredita numa mudança de paradigma: no século XX, o que era suposto fazer era encontrar um trabalho e, nos tempos livres, dedicá-lo aos hobbies. "A única saída para seguir em frente neste impasse é encontrar o talento e pô-lo ao serviço dos outros. Há muita competição: uma pessoa que não faça o seu trabalho excelentemente é facilmente ultrapassada. E não há maneira de estar focado num determinado tema se não se gostar do que se faz.", explica.
Para evitar que o seu negócio sofra com a sua inexperiência/incapacidade de reação, Sergio sugere 10 dicas para não desesperar:
Procure solucionar: questione-se se o que faz resolve algum problema. Sergio, por exemplo, dá workshops low-cost para incentivar os empreendedores a criarem os negócios e a resolverem os problemas. "Como soluciono problemas do dia-a-dia, as pessoas pagam-me. No dia em que eu deixe de resolver problemas reais deixam de me pagar."
Dispare e depois aponte: faça algo. Não vale a pena adiar a ação por medo de errar. Erre, e logo corrige.
Não tenha medo de errar: se se tem medo dos erros, fica-se paralisado a pensar. Os estudos de mercado, os planos estratégicos, tudo é menos importante do que agir, acredita Sergio.
A experiência é mais importante que a criatividade: a capacidade de ação e de reação é essencial para resolver os problemas. Não vale a pena pensar muito nos assuntos se não consegue reagir. A capacidade de sobrevivência depende da capacidade de adaptação ao meio ambiente. Hoje em dia há "organizações elefante", muito grandes, e "organizações micróbio", muito pequenas. Nas últimas há grande capacidade de adaptação porque toda a gente faz tudo.
O capitalismo acabou. Seja bem-vindo ao talentismo: antes, qualquer empresário precisava de capital. Hoje, o que se precisa é talento. "Os meios de comunicação têm uma profunda responsabilidade por veicularem notícias negativas, constantemente. Eu, o que diria aos desempregados seria: há milhões de oportunidades à vossa espera! Há milhões de problemas: escolham um só problema, solucionem-no e as pessoas vão pagar-vos." Há muitas oportunidades e, quem lida com empreendedores, percebe-o na hora.
Venda bem: há uma ideia pré-concebida e negativa de vender. Mas, para qualquer empresa, vender é fundamental. Vender não é enganar. Se eu vendo uma mesa, se digo que ela é a melhor mesa do mercado mas se tenho outra mesa em minha casa, para que serve? "Eu gosto de vender porque gosto dos meus livros. Se tens um produto em que não acreditas completamente, muda já de trabalho. Não deixes para amanhã", explica Sergio.
Pare de trabalhar: às tantas, de tão entusiasmante que é um trabalho, as pessoas não param e estão sempre dedicadas aos projetos. "Creio que todos os empreendedores que conheço adiantam trabalho ao domingo, por exemplo. Isso deve evitar-se."
Confie e gere confiança: é um erro comum. Investir em coisas que não são essenciais no início. O primeiro passo para um negócio bem sucedido é gerar confiança e investir em marketing. Numa primeira fase, o negócio é marketing. Invista nisso: o escritório em casa, investimento no essencial, não gastar num bom escritório mas numa oferta ao cliente, em livros, CD, para gerar confiança.
Evite a televisão, leia bons livros e rodeie-se de gente com bom coração: há oito anos que Sergio não tem televisão em casa. "Sou um livre pensador. E, tal como trato da minha alimentação, também não admito lixo no meu cérebro.", explica.
Não procure a segurança acima de qualquer coisa: "Um empreendedor é uma pessoa capaz de viver na insegurança e que paga um salário a outros que não são capazes de viver na incerteza.", defende. A segurança é uma ilusão, diz Sergio. Tudo muda rapidamente. Por isso, é importante que se tenham experiências de perda. "E ter fé. Como no Indiana Jones, que dá um passo no vazio. Há um momento em que se tem que avançar no precipício. Cai-se ou não. Mas o que vais contar aos teus netos?".
Não conte os seus sonhos: "Quando contamos os sonhos a toda a gente vem sempre alguém que nos diz para esquecer e que não é possível." Ouvir opiniões negativas pode desanimar e nem sempre funciona no sentido de incentivar. Tudo é energia. Há que partilhar ideias, mas com pessoas que incentivem a pô-las em prática.

O livro "Viver sem chefe" é uma caixa de ferramentas que, ou Sergio ou outras pessoas que conhece experimentaram e testaram