Ana Luísa, Bruno, Catarina, Filipa, Inês, Marta, Nuno, Ruben, Sara e Tiago foram à procura de emprego, experiência ou aventura
Emigrar? A experiência de 10 jovens em Estocolmo

Estocolmo oferece muitas vantagens
D.R.
06/06/2012 | 02:14
| Dinheiro Vivo
Ana Luísa, Bruno, Catarina, Filipa, Inês, Marta, Nuno, Ruben, Sara e Tiago. São dez jovens licenciados cuja vida levou para Estocolmo, por razões distintas.
Conheci todos eles, numa iniciativa do Centro de Língua Portuguesa - Instituto Camões. Um encontro descontraído acompanhado de uns doces que adoçaram a conversa em que se partilharam experiências. O sentimento comum de que em Portugal não há oportunidades, ajuda na altura do balanço do que se deixou para trás. Alguns dos que estão a fazer doutoramento beneficiam de bolsas da FCT de Portugal.
A maioria não pensa em voltar nos próximos anos, não porque não queira mas porque faltam oportunidades. Não temos as mesmas condições que temos aqui, dizem alguns. Outros até pensam nunca mais voltar. Um dia de cada vez. A organização, os apoios sociais existentes (apesar dos elevados impostos pagos pelo contribuinte), a eficiência dos serviços e o relaxed lifestyle são apontados como grandes motivos para ficar em Estocolmo.
A natalidade
Os incentivos à natalidade na Suécia têm servido de inspiração para muitos países que procuram aumentar as suas taxas. Os apoios não são unicamente financeiros, mas acompanhados de fortes medidas de duração muito superior à média, que ajudam e promovem a conciliação da vida familiar e pessoal.
Doutores e engenheiros
Na Suécia não há doutores nem engenheiros. Quer dizer, haver há, mas os títulos nunca se invocam quando nos dirigimos a alguém. Gravatas e saltos altos durante o dia também não se veem. O conforto aliado a um estilo apurado em relação à moda, são palavras de ordem.
O tempo
Em Portugal, fala-se do tempo quando não temos assunto. Aqui, o tempo é o tema principal. A curta duração do verão faz com que os parques estejam repletos de pessoas de todas as idades a fazerem piqueniques e o sol desperta nas pessoas uma alegria e boa disposição constante e contagiante.
O inglês
A Suécia tem como segunda língua o Inglês. Desde as crianças até aos avós, o Inglês não é problema. No entanto, no mercado laboral, saber falar Sueco é, na maioria das vezes, exigido. Para quem consiga um contrato de trabalho, o governo disponibiliza cursos de sueco gratuitos para estrangeiros.
Apesar de tantas diferenças existe um tema em que há uma grande semelhança e, simultaneamente, uma grande diferença: o desemprego. A taxa de desemprego global é de cerca de 7% na Suécia, 15% em Portugal. Em Portugal, a palavra recessão consta do dicionário de bolso dos portugueses; na Suécia, fala-se em crescimento económico. Mas há uma preocupação comum: as taxas de desemprego nos jovens são ambas altas. Em Portugal, cerca de 36%, na Suécia mais de 22%.
A razão para esta diferença tão elevada entre o desemprego, é uma discussão longa na Suécia, que muitos justificam pelas leis do mercado laboral. A regra last in, first out, faz com que os jovens com sem experiência tenham muita dificuldade em entrar no mercado de trabalho em momentos mais difíceis. Mas, para além da discussão protecionismo vs. novas oportunidades, a Suécia considera estes números dramáticos e as negociações na procura de soluções decorrem diariamente.
Portugal tem de encontrar urgentemente soluções para o elevado nível de desemprego, em especial para o desemprego nos jovens, mas a verdade é que ao mesmo tempo precisa de começar a pensar em soluções de médio prazo para incentivar os jovens que emigraram a voltar ao seu país. A situação económica irá melhorar, só não sabemos quando.
No entanto, isso não é razão para que não se comece agora a trabalhar para o futuro. Temos de deixar de aplicar políticas com horizontes temporais de apenas quatro anos, correspondendo unicamente a resultados durante os mandatos políticos. Investimos milhões nos nossos jovens, incentivámos estes para que estudassem e aprendessem no estrangeiro, e por isso, agora também temos de ter mecanismos para que esses mesmos jovens, possam no médio prazo, devolver ao seu país os resultados dessas aprendizagens e experiências.
A Suécia tem coisas menos boas, como Portugal também as tem. Tem coisas fantásticas como Portugal também as tem. Quem embarca numa aventura destas, tem de se soltar do saudosismo e aproveitar tudo o que há de melhor num país estrangeiro e promover tudo o que temos de melhor no nosso Portugal.
Dez jovens emigrantes
A Ana Luísa está a tirar o doutoramento em Neurociências no Karolinska Institute, debruçando-se sobre uma área específica: criatividade musical. Chegou à Suécia há cerca de um ano.
O Bruno está a frequentar um mestrado em Ciência Política na Universidade de Estocolmo, e ao mesmo tempo que procura um desafio profissional está a criar a Associação de Jovens Portugueses em Estocolmo.
A Catarina, responsável pelo Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões e conselheira cultural da Embaixada de Portugal na Suécia, já vive em Estocolmo há quase cinco anos.
A Filipa, enfermeira, esteve na Irlanda dois anos depois de um Erasmus na Suécia e regressou a Estocolmo para tirar um mestrado em Economia da Saúde. Agora, está a tirar o doutoramento em Economia da Saúde na Universidade de Uppsala.
A Inês veio à aventura para a Suécia há três meses, deixando um negócio em Portugal para trás; é arquiteta e encontrou trabalho na área de Decoração de Interiores.
A Marta conheceu o marido sueco em Portugal, onde ambos trabalhavam. Há cerca de um ano, fizeram as malas e vieram para Estocolmo com o filho de três anos. Psicóloga, recomeçou o doutoramento.
O Nuno, licenciado em Literatura Portuguesa, veio para a Suécia há cinco anos, à procura de trabalho na área da tradução. Agora está a desenvolver o seu doutoramento no ISPLA (Departamento de Espanhol, Português e Estudos Latino-Americanos da Universidade de Estocolmo).
O Ruben, com formação em Gestão está, como eu, a fazer o Estágio Inov Contacto, durante os próximos cinco meses. Pensa regressar a Portugal, para desenvolver projetos relacionados com o empreendedorismo social.
A Sara veio com o Ruben para Estocolmo para uma aventura de seis meses. Já encontrou trabalho na área de Comunicação e Organização de eventos. Depois, o limite é o mundo.
O Tiago, com formação na área da Bioquímica, já correu meio mundo entre desafios profissionais e viagens. Agora, regressou ao país onde fez Erasmus e está à procura de um novo desafio profissional. Começou recentemente um pós-doutoramento no Instituto Karolinska.

A experiência de dez jovens licenciados em Estocolmo