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Por Catarina Beato

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Comprar um carro novo em tempo de poupança

Crónicas de uma desempregada

31/07/2012 | 14:58 | Dinheiro Vivo

Tenho que perder este hábito de levar o meu filho mais velho à escola quase-de-pijama. Este é um texto de números mas será este o pensamento que me perseguirá, ultrapassando todas as angústias traduzidas em números.


Já deixei o miúdo na escola e o carro [um Peugeot 206 sw de 2003 mais 100.000 kms e muita condução agressiva feminina] começa a fazer um barulho estranho. O barulho piora mas penso que faltam apenas 700 metros para chegar a casa. 

Na Calçada da Estrela, o meu companheiro dos últimos nove anos - mais do que qualquer outra relação que tenha tido na vida - morre nas minhas mãos. Saio para pôr o triângulo. Tenho que perder este hábito de levar o meu filho mais velho à escolar quase-de-pijama. E chamo o reboque. 

Passado meia hora damos entrada no stand da Peugeot mais próximo. Um carro morto e uma condutora quase-de-pijama. Diagnóstico: 2.000 euros. Substituição total da embraiagem e outros palavrões que deixei de ouvir quando vi o orçamento.  

Estes 2.000 euros viriam juntar-se aos 1.800 euros que gastei seis meses antes numa revisão geral que envolveu: um problema numa porta, pneus, travões, ar condicionado, óleo e todos os líquidos passíveis de mudança.

Eu tenho como princípio de vida [automobilística e amorosa] que os carros são como as relações: existe um ponto em que começam a dar problemas e nunca mais param. A única solução é trocar. De carro, entenda-se.

Quase-de-pijama e de lágrimas nos olhos (acredito verdadeiramente que a minha imagem neste momento tenha inspirado pena suficiente para que o avaliador tenha ignorado todas as mossas proveninetes da minha condução agressiva) anuncio que o meu velho carro já não sairá do stand.

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