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Lucília Tiago

Por Lucília Tiago

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Fiscalistas dividem-se sobre as vantagens da Holanda para empresas como a dona do Pingo Doce

Sistema fiscal holandês é desenhado para atrair holdings

Holanda tem melhor regime fiscal
Holanda tem melhor regime fiscal
D.R.
04/01/2012 | 00:00 | Dinheiro Vivo

O sistema fiscal holandês está desenhado para ser irresistível para os grupos empresariais estrangeiros que queiram deslocalizar-se para lá. A um generoso regime de isenções, a Holanda junta uma sólida estabilidade e uma ampla rede de acordos de dupla tributação - ideal para empresas que estão em processo de internacionalização, como o Grupo Jerónimo Martins.

De forma unânime os fiscalistas e juristas contactados pelo DN/Dinheiro Vivo vêem nesta venda da participação de 56% da Jerónimo Martins a uma subsidiária com sede na Holanda (a Sociedade Francisco Manuel dos Santos DV) uma forma de evitar a dupla tributação associada ao investimento que o grupo tem previsto para a Colômbia. E de fugir à instabilidade do sistema fiscal português que, como sublinhou um daqueles especialistas, ao longo dos últimos anos ganhou o hábito de "mudar a legislação fiscal à medida das necessidades".

Foi também este o tom que o administrador-executivo da Sociedade Francisco Manuel dos Santos deu à operação quando, em declarações ao Dinheiro Vivo, salientou que esta mudança vai permitir à sociedade "acelerar o seu crescimento"; a ampla rede de convenções que a Holanda tem com outros países torna-a "especialmente favorável para companhias em processo de internacionalização". Porém, acentuou que a "operação não tem implicações fiscais".

Por cá os fiscalistas dividem-se quanto às vantagens fiscais deste "parqueamento" da participação das acções que antes estavam na casa-mãe para uma subsidiária. Para Rogério Fernandes Ferreira, especialista em Direito Fiscal da PLMJ, o impacto da operação para os cofres do Estado "deve ser neutro", na medida em que a Jerónimo Martins continuará a pagar IRC em Portugal sobre os lucros aqui obtidos ou realizados fora do país. O mesmo raciocínio se aplica aos acionistas que continuarão a ser tributados aqui. Além disso, sublinha, não houve uma mudança de sede, mas apenas da alienação de participações sociais de uma SGPS que mantém a sua sede e a sua direção efetiva em Portugal.

O sistema fiscal holandês está desenhado para ser irresistível para os grupos empresariais estrangeiros que queiram deslocalizar-se para lá

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