Bang! Bang! Os cartoons portugueses

Steven Governo
Miguel Braga podia ter sido um gestor de topo, mas a paixão pelo desenho falou sempre mais alto e obrigou-o a virar-se para o design. Passou por uma empresa de marketing e publicidade, mas foi com a banda desenhada que deu o salto para abrir a Bang! Bang!, o maior estúdio de animação 2D em Portugal.
Miguel começou por vender tiras de banda desenhada à peça para as revistas Portugal Radical, Fórum Estudante e Cães & Companhia e ainda aguentou três anos como freelancer, até perceber "que assim não dava" e mergulhar no mercado da animação, em 1998. Na altura com 27 anos e sem experiência na área, respondeu a um anúncio e foi aceite na equipa do estúdio Magic Toons, onde ficou um ano.
Porém, não era bem aquele o seu caminho. Para o descobrir, Miguel aproveitou o boom da Internet e criou um site onde expunha as "bonecadas que fazia", desenvolvendo um método de trabalho único que lhe permitiu "produzir bonecos em quantidade industrial e com boa qualidade" - uma combinação entre os programas Corell e Flash que deitou por terra o império do Illustrator da Adobe. "Chamaram-me doido, disseram que era impossível fazer animação assim, mas eu sou a prova do contrário", conta.
A ideia tinha tudo para vencer, mas Miguel ainda não era autossuficiente. Por isso, andou a saltar entre a paginação, o design gráfico e a publicidade, até conseguir vender, em 2004, a série O Anjinho da Guarda à SIC Radical. "Éramos cinco, em regime de freelancer, e trabalhávamos numa sala em casa da minha avó", no estúdio que na altura se chamava Headcoretoons. Em 2007 chegou a proposta da RTP2 para integrar o programa infantil ZigZag, com as séries A Ilha das Cores e Sótão Mágico e daí a conquistar o canal Panda foi um instante.

A empresa de Miguel tem 46 animadores. Entretanto, Miguel deixou de desenhar e produz e realiza filmes de animação


































