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Mariana de Araújo Barbosa

Por Mariana de Araújo Barbosa

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  • O que é a My Farm?
  • Quando arranca o projeto piloto?
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Contrata-se o terreno e o especialista. Na My Farm não precisa de pôr as mãos na terra para ter alfaces "suas"

Afinal, o Farmville existe no Alentejo

Em março arranca o projeto piloto
Em março arranca o projeto piloto
Steven Governo
11/02/2012 | 00:07 | Dinheiro Vivo

Guarde as galochas para os dias de chuva e a enxada num canto da garagem. A horta com que sempre sonhou - com legumes da época para fazer sopas de feijão-verde, refogados com cebola e molho de tomate caseiros - está à distância de um clique. Isso mesmo. 

E não, não pense que falamos do famoso jogo online Farmville, em que cada pessoa vai alargando os latifúndios mas nunca chega a provar aquilo que plantou. 

A ideia partiu precisamente desse famoso jogo do Facebook, mas esta horta é de terra e legumes verdadeiros. E tornou-se realidade depois de alguns dos professores do Instituto Politécnico de Beja terem desafiado os seus alunos a pensar em alternativas de negócio que pudessem criar.

"Não podemos formar alunos apenas para procurarem emprego, mas também para serem empreendedores e gerarem os seus próprios postos de trabalho. Estamos preocupados com isso e daí  termos desafiado os alunos a propor e a discutir connosco ideias de negócios ligadas às áreas de estudo", explica Luís Luz, 43 anos, professor do Instituto Politécnico de Beja e um dos coordenadores do projeto My Farm

As conversas começaram em março de 2011. Quase um ano depois, a equipa ultima os preparativos para o arranque do projeto-piloto, um investimento que deverá rondar os seis mil euros, entre sementes e câmaras de vídeo. A equipa que tratará das hortas conta com a colaboração de cinco alunos do Politécnico, dos quais quatro são finalistas de Engenharia Agronómica e uma é finalista de Engenharia do Ambiente. "Cada cliente terá um gestor que aconselha e trata, já que os alunos finalistas vão dar conselhos técnicos e aconselhamento", explica o professor universitário.

As hortas de Beja devem começar a produzir já em março: dos 20 terrenos disponíveis - cada horta tem 49 metros quadrados -, 12 já têm inquilino. Só que, neste caso, o proprietário das alfaces, tomate, pimentos, feijão-verde, melões e meloas (os primeiros legumes e frutos a serem plantados em Beja) não precisam de sair mais cedo das festas de família para ir regar os morangos, acordar a meio da noite para fertilizar as alfaces, ou pôr o despertador e saber programar a máquina que trata do sistema de rega à hora certa.

A equipa da My Farm trata de todas as suas preocupações agrícolas: cada produtor tem ao dispor um consultor - estudante dos cursos da universidade - que aconselha e trata das decisões tomadas pelo dono em relação à horta: o que plantar, o que apanhar, que tratamentos aplicar e quando entregar os legumes e a fruta em casa do dono das terras. Além disso, cada horta tem uma câmara de filmar que permite ao arrendatário controlar todos os processos que decorrem nas suas terras, desde a sementeira à colheita da produção.

O serviço da My Farm inclui, por isso, o aluguer da horta (25€/mês), a plantação das culturas respeitando os produtos da época e a entrega dos produtos em casa dos donos. Cada tarefa à parte que as pessoas mandarem desempenhar tem um custo acrescido. "No fim, os legumes devem ter um custo muito semelhante ou até inferior ao que compram no supermercado, e que não deve ultrapassar os 25€/mês", assegura Luís Luz.

Professor do Politécnico de Beja desde 1999, Luís Luz acompanha as discussões entre alunos e professores desde o primeiro dia e coordena o projeto da horta real totalmente gerida pela Internet.

"Por enquanto, as hortas estão acessíveis apenas a pessoas da zona de Beja, por uma questão de distribuição dos produtos. Por agora, a nossa ideia é implementar o projeto-piloto e aprender muito com ele. E, depois, que os nossos alunos agarrem na ideia e vão espalhá-la por vários locais, criando as suas próprias empresas", explica.

A ideia é também, de acordo com o professor universitário, uma forma de inverter a tendência atual. "No nosso sistema de ensino, as pessoas são educadas para trabalhar para alguém e há uma reticência dos alunos, quando entram para o mercado de trabalho, em avançarem com projetos próprios. Sentem-se perdidos e inseguros perante a entrada no mundo novo", esclarece.

Além da formação, a My Farm vem criar uma alternativa aos terrenos sem uso, nomeadamente nos arredores das cidades. "O objetivo é criar zonas de cultivo na periferia das cidades, aproveitando terrenos baldios, que permitam às pessoas ter pequenas hortas que sejam tratadas por especialistas."

O Politécnico de Beja está, entretanto, à procura de parceiros para avançar definitivamente com o projeto e já iniciou conversações com entidades da zona da Grande Lisboa para estender o conceito à capital.

Em suma, "a grande vantagem deste sistema é que os responsáveis pelas hortas dão conselhos aos donos. Mas a decisão final é do arrendatário do terreno. Uma pessoa não precisa de saber nada sobre hortas para ter uma.", conclui.


Retrato
O projeto My Farm oferece o aluguer de hortas reais (49m2)  geridas através da internet.  Foi pensado em março de 2011 por um grupo de professores e alunos do Instituto Politécnico de Beja. As 20 hortas do projeto piloto exigem um investimento de cerca de 6 mil euros. No projeto participam cinco finalistas dos cursos de Engenharia Agronómica e do Ambiente que tratarão das hortas dos arrendatários. Cada horta tem um custo fixo de 25€/mês que inclui a entrega dos produtos em casa.

Cada proprietário gere a sua própria horta via internet e consegue ver o que se passa no terreno graças a uma câmara ligada 24 horas

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