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Por Harvard Business Review

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Seja crítico no que tiver de ser criticado e agradável no que tiver de ser louvado

As pessoas bem sucedidas são simpáticas? Ou nem por isso?

Simpatia não é tudo
Simpatia não é tudo
D.R.
14/02/2012 | 00:00 | Dinheiro Vivo

Gosta de ser um chefe simpático? E pensa que é a si que vão recorrer quando estiverem em apuros? Seja crítico no que tiver de ser criticado e agradável no que tiver de ser louvado. De outra forma, a sua liderança será como uma mousse instantânea: quando se prova e se percebe que não é caseira, não se volta a desejar e raramente se come até ao fim.

Depois do livro Inteligência Emocional de Daniel Goleman, passámos a reconhecer a importância de nos sintonizarmos para os factores sociais e emocionais no local de trabalho. Mas muitas representações populares do local de trabalho não mostram qualquer prova dessa sensibilidade. Mad Men, Wall Street e outras séries de televisão e filmes dão a impressão que nos negócios, só os mais fortes sobrevivem.

Mas a inteligência emocional implica que os chefes bem-sucedidos devem ser agradáveis. E embora ser amável possa ter vantagens a nível social, será que vale a pena?

A chave está em até que ponto é que você é agradável. Timothy Judge, Beth Livingston e Charlice Hurst analisaram este traço este ano num artigo publicado no Journal of Personality and Social Psychology. A título de informação, os estudos convencionais sobre personalidade definem a amabilidade como duas qualidades relacionadas: (1) Em que medida é que você valoriza dar-se bem com os outros?, e (2) Até que ponto é que você está disposto a criticar os outros?

Usando dados sobre os salários auferidos, os investigadores concluíram que os homens que são mais agradáveis ganham significativamente menos do que os que têm um nível de amabilidade inferior. Em vários estudos, esta diferença chegava a atingir os 10 mil dólares por ano. Por outro lado, os salários das mulheres são menos afetados. Havia só uma pequena diferença nos salários entre as mulheres simpáticas e menos simpáticas e, muitas vezes, não era estatisticamente fiável.

Porque é que estes resultados diferem entre homens e mulheres? E porque é que os tipos decentes acabam em último?

Existe a ideia estereotipada de que quando são os homens a chefiar, tomam decisões sem preocupação pelo que as outras pessoas pensam. De facto, um estudo final neste mesmo artigo pedia às pessoas para avaliarem candidatos potenciais à liderança. Os homens simpáticos foram classificados como menos atraentes como potenciais chefes.

E quanto aos homens simpáticos (e num menor grau, as mulheres simpáticas) ficarem em último, vamos recordar as duas qualidades relacionadas da amabilidade. No que diz respeito a valorizar dar-se bem com os outros, subir na carreira requer uma disposição para se irritar de vez em quando. Os bons chefes precisam de ser capazes de dizer às pessoas coisas que elas não querem ouvir. E honestamente, colocar-se à frente para uma promoção significa colocar-se à frente dos outros.

O sucesso na carreira também envolve ser crítico. Embora alguns chefes possam querer estar rodeados por pessoas que concordam com eles obedientemente, a maioria quer aqueles que encontram as falhas num plano antes deste ser implementado. As pessoas menos amáveis têm propensão a fazer este tipo de críticas.

É claro que isto não é uma autorização para se ser um idiota no trabalho. Os dados também sugeriam que as pessoas com falta de amabilidade têm mais probabilidade de perder os seus empregos do que as que são simpáticas. Existe uma grande diferença entre ser antipático e ser desagradável.

Então, o que poderá fazer, seja mais ou menos agradável?

Primeiro, conheça-se a si mesmo. Existem imensos testes para medir as cinco dimensões fundamentais da personalidade. Encontre um, faça-o, e fique com uma ideia objetiva de quão agradável é.

Se é mais agradável, esforce-se ao máximo para encontrar falhas nos planos que ouve. Ponha de lado as suas relações pessoais e pense no que pode correr mal. Ajuda imaginar que a ideia vai ser implementada por outra empresa, para facilitar a separação entre pessoas e ideias. Em seguida, arranje formas de expressar as suas preocupações. As pessoas poderão ficar aborrecidas consigo durante um dia, se reconhecerem o valor a longo prazo do seu conselho. Exprima as suas preocupações com simpatia, mas de forma direta. Tente praticar primeiro com um amigo dar feedback negativo, antes de o fazer a sério.

Se é mais desagradável, equilibre a crítica com a empatia. Lembre-se que é difícil ouvir críticas sobre as suas ideias e desempenho. Poderá ser firme ao mesmo tempo que reconhece o impacto da sua mensagem. Se acha que está a desenvolver uma reputação de ser insensível, pratique dar más notícias com um amigo. Descubra que partes do seu discurso estão a provocar as más reações das pessoas. Um líder forte pode orientar sem ser mesquinho.

Simpático ou não, sem dúvida que ainda pode vir a ser um grande chefe - só tem de ajustar a sua estratégia.

Ser um bom chefe é saber dizer aos elementos da equipa o que eles não querem ouvir.

Art Markman, professor de Psicologia e Marketing do Annabel Irion Worsham Centennial na Universidade do Texas, em Austin

Se não ajustar as suas reações ao trabalho dos trabalhadores a sua liderança será fraca

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