Há cada vez menos investimento em certificados de aforro, mas o Estado apresenta outras opções igualmente rentáveis
Como ganhar dinheiro com o Estado em 2012

Investimento em aforro caiu em 2011
D.R.
26/12/2011 | 12:30
| Dinheiro Vivo
Os portugueses estão cada vez mais a tirar dinheiro dos certificados de aforro. No entanto, existem vários produtos do Estado que são, igualmente rentáveis. Questionado pelo Dinheiro Vivo, o analista técnico da WorldSpreads, Luís Correia Tavares, responde a várias perguntas e revela onde poderá colocar as suas poupanças.
Como é que os investidores podem ganhar dinheiro com o Estado? E é rentável?
Existem várias formas de os investidores ganharem dinheiro com o estado, não é mais do que adquirirem títulos ou obrigações, que consistem no fundo num empréstimo concedido ao estado por estes investidores.
A rentabilidade é inferior á obtida por outros produtos de maior risco, no entanto, face á conjuntura actual, emprestar dinheiro ao estado, não deixa de ser um risco. Mas, não é menos verdade, que segundo a historia, desde 1890, que o estado Português (Tesouro) não tem falhado a nenhum dos seus compromissos, no que respeita a este tipo de produtos.
Quanto à rentabilidade dos mesmos (Obrigações do Tesouro), resulta mais atractivo os de curto prazo pela sua liquidez e pelo menor tempo de exposição, dado que os de curto prazo que vencem em 2012, ainda se poderá dizer que terão a protecção da Troika, enquanto que os que vencem em 2013, terá que ser o próprio estado Português a encontrar uma forma de os pagar.
Prever o futuro no presente, resulta um pouco complicado, mas para este instrumento de curto prazo, resulta mais atractivo que a própria bolsa em si, onde temos um saldo anual negativo para o índice do PSI-20. Outra coisa diferente, seria a de se escolher uma acção isolada, com a possibilidade de obter um maior rendimento, embora com muito maior risco.
Analisar o presente com base no passado, será bem mais fácil para todos, mas apenas para conhecimento, pois já é tarde para tomar decisões uma vez que todos já sabemos quais teriam sido as melhores decisões. Para as obrigações do tesouro que vencem a Junho de 2012, a rentabilidade ronda em torno a 7%, é agora mesmo o mais líquido e mais seguro, e até mesmo rentável para quem quer baixa volatilidade, uma vez que estas, ainda têm a Troika a garantir o seu pagamento.
As que vencem em 2013, têm mais rentabilidade por estarem mais alongadas no tempo, muito menos liquidez, e menos seguras.
Quais os instrumentos que estão disponíveis para esse objectivo?
Obrigações do Tesouro:
As Obrigações do Tesouro (OT) constituem o principal instrumento utilizado pelo Estado português para satisfazer as suas necessidades de financiamento.
As OT são valores mobiliários de médio e longo prazo, cuja emissão se efectua através de operações sindicadas, leilões ou por operações de subscrição limitada (tapping) e que podem ser emitidas com:
- prazos entre 1 e 50 anos;
- com ou sem cupão (cupão zero);
- taxa de juro fixa;
- amortizáveis no vencimento pelo seu valor nominal e possibilidade de destaque de direitos (stripping).
Bilhetes do Tesouro:
Os BT são valores mobiliários de curto prazo com um valor unitário de um euro, podendo ser emitidos com prazos até um ano, colocados a desconto através de leilão ou subscrição limitada e reembolsáveis no vencimento pelo seu valor nominal.
Certificados de Aforro:
Os produtos de aforro são instrumentos de dívida criados com o objectivo de captar a poupança das famílias. Têm como característica principal o serem distribuídos a retalho, isto é, serem colocados directamente juntos dos aforradores e terem montantes mínimos de subscrição reduzidos. Os produtos de aforro só podem ser emitidos a favor de particulares e não são transmissíveis excepto em caso de falecimento do titular.
Certificados do Tesouro:
Os Certificados do Tesouro são um instrumento de dívida, nominativo, criados com o objectivo de captar a poupança das famílias. Estes produtos só podem ser emitidos a favor de particulares e são transmissíveis exclusivamente em caso de falecimento do titular.
Qual é a tendência para cada um desses instrumentos?
Segundo o meu ponto de vista, a tendência será de cada vez haver menos procura neste tipo produto. Se por um lado, alguns destes produtos, com somente 100 euros se poderá investir, por outro, o cada vez menor poder aquisitivo por parte dos pequenos investidores, travará interesses de investimento.
Os grandes investidores, estão já demasiado investidos e pelas suas políticas de diversificação, poderá no meio prazo, ter menos procura. Por outro lado, dado que nos encontramos em Portugal, numa situação quase extrema, também se poderá dizer que poderemos estar perante o tecto de juros elevados a pagar pelo estado. Juros esses que quanto mais elevados, maior risco oferecem. A tendência será crescente no que respeita a intenções do estado em pedir dinheiro emprestado por estes tipos de meios, mas penso que será decrescente na procura por parte de investidores.

Títulos da dívida portuguesa chegam a pagar 7% ao ano.