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Por Carlos Lima

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"Isto é uma POUCA VERGONHA!... Quem lhe põe cobro?"

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Entidade fiscalizadora e fiscalizados são sócios. Provedoria de Justiça já considerou que a situação "não tem sustentação legal"

Banco de Portugal e privados são sócios em negócios de imobiliário

27/01/2012 | 00:00 | Dinheiro Vivo

O Banco de Portugal, entidade fiscalizadora dos bancos, e alguns dos fiscalizados estão juntos em negócios ligados ao imobiliário. Esta é a situação da empresa Finangeste, criada em 1982 para sanear ativos tóxicos da banca e para recuperar crédito mal parado, mas que, atualmente, detém duas empresas ligadas ao negócio imobiliário, o que já mereceu críticas, em 2006, da Provedoria da Justiça. 

O Banco de Portugal é o acionista maioritário da Finangeste, com 44%, seguido do BPI, com 32,78%, do Millennium BCP, com 15,8%, e da Caixa Geral de Depósitos, com 4,47%. O restante capital está disperso por mais quatro banco privados.

Por sua vez, a Finangeste detém o controlo total de duas sociedades ligadas ao imobiliário: a Inturval, Desenvolvimentos Urbanísticos e a Solreis, Sociedade Imobiliária. Ambas, segundo as infor- mações públicas sobre a atividade, dedicam-se ao imobiliário, compra e venda de terrenos, imóveis e até desenvolvimento de projetos urbanísticos. Segundo o Relatório e Contas da Finangeste de 2008, o último publicado no site desta empresa, foram distribuídos quatro milhões de euros em dividendos pelos acionistas, fruto dos negócios de recuperação de créditos e também do imobiliário.

Aliás, os estatutos da Inturval são claros: esta empresa tem por objeto "a compra e venda de propriedades, revenda dos adquiridos para esse fim, exploração turística e urbanística de propriedades e a sua valorização".

A participação do Banco de Portugal nesta estrutura de negócio (em que, através da Finangeste, acaba por ser sócio dos privados em negócios imobiliários) já mereceu, em 2006, duras críticas da Provedoria de Justiça. Questionada sobre a participação da Finangeste no capital de uma empresa de "promoção imobiliária e indústria de construção civil, incluindo a construção e comercialização de edifícios de promoção própria, gestão de bens imobiliários, urbanização e loteamento de terrenos, alugadores", a Provedoria acabou por arquivar este caso.

Banco de Portugal, entidade fiscalizadora dos bancos, e alguns dos fiscalizados estão juntos em negócios ligados ao imobiliário

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