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+-TEXTO

Por Pedro Bidarra

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Da manifestação de sábado não ficou nem uma palavra de ordem, porque o que saiu à rua foram banalidades

Isto já não é um país de poetas

20/09/2012 | 23:00 |  Dinheiro Vivo

As manifestações de indignação pelas medidas que o governo quer experimentar nos portugueses foram um sucesso de mobilização graças ao poder das redes sociais. Infelizmente o "texto" foi mau. Tão mau que nada ficou; uma palavra de ordem, um slogan, um pensamento, nada de memorável e politicamente relevante para o movimento que acabou sem nome. De tudo o que se viu apenas sobrou uma fotografia de uma giraça com um polícia. Uma imagem de concórdia e paz que não podia ter calhado melhor ao governo que foi absolvido de toda a culpa quando os organizadores escolheram a palavra de ordem "Que se lixe a troika".

Que pobreza! Mas ninguém teve uma ideia melhor? Ninguém soube convocar um poeta, um escritor, um redactor publicitário ou até um destes novos jornalistas semi-iletrados, c"os diabos!?

"Que se lixe a troika", e a profusa "Vão-se foder", não ajudaram a causa da indignação. Para além de impropérios são banalidades - o que é muito mais grave. Como impropérios, a imprensa não lhes pega pois não servem para debates e entrevistas. Ninguém vê a Judite de Sousa a perguntar ao Passos Coelho, "Senhor primeiro-ministro: o sr. primeiro-ministro está disposto a ir-se foder como pediu no domingo passado mais de meio milhão de portugueses?"; e o Pedro ... "Sabe Judite, um primeiro-ministro tem de pôr os interesses do país em primeiro lugar: um primeiro-ministro, por muito que tenha vontade, não pode ir foder-se quando em causa está o interesse nacional". E depois são impropérios banais que não alimentam conversa pois as conversas alimentam-se de assunto e não de banalidade.

A outra coisa irritante é que o "Que se lixe a troika", que significa "estou-me nas tintas para a troika", é um paradoxo. Se me estou nas tintas para quê esta mobilização? E estar-me nas tintas significa o quê? Que não lhes falo quando os vir na rua? Não devia a manifestação ter como alvo o governo? Não são eles que até hoje não tiveram o engenho (as habilitações) e a arte para negociar, ter ideias e, sobretudo, dar-se ao respeito lá fora mostrando carácter e não subserviência de marrão?

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