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Por Harvard Business Review

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Aos 54 anos, Christiane Amanpour regressou às reportagens no estrangeiro para a ABC e CNN.

"Questiono-me se estou viva por ter um filho"

Christiane Amanpour
D.R.
28/12/2012 | 09:00 |  Dinheiro Vivo

Christiane Amanpour ganhou fama a nível global na década de noventa como correspondente de guerra da CNN e aproveitou isso para trabalhar ao mesmo tempo no programa 60 Minutes da CBS. Este ano, apenas 16 meses após ter conseguido um cobiçado lugar de pivot no programa This Week da ABC, regressou às reportagens no estrangeiro (para a ABC e a CNN) porque "simplesmente não há pessoas suficientes para o fazer".

Como começou no jornalismo?

Numa estação de televisão em Providence. Eles tiveram um ato de fé e contrataram-me, acho que por terem visto uma jovem que levava muito a sério o seu percurso profissional. Eu sabia exatamente o que queria fazer - ser correspondente no estrangeiro - o que atualmente é incomum; muitos licenciados adiam uma decisão e continuam a estudar. Por isso, foi a ambição que mostrei, o sentido de missão e a vontade de fazer qualquer coisa, de ir a qualquer lado. Nenhuma tarefa era demasiado insignificante e quando as coisas se revelavam acima do meu nível de experiência, não me esquivava. Fazia o melhor que podia. Tem mesmo de se fazer todo o tipo de trabalho porque, no final, a nossa credibilidade baseia-se na nossa experiência.

Ser mulher foi uma vantagem ou desvantagem na sua carreira?

Foi sempre uma vantagem. Permitiu-me entrar em sítios onde os homens não foram capazes. Diria, contudo, que há uma falta de liderança feminina neste sector. Estou muito satisfeita com a minha posição, com a forma como avancei na carreira, mas continuo a fazer lobby em nome de todas as mulheres que trabalham ao meu lado e que estão a chegar depois de mim. Elas precisam de ser tratadas de forma igual, de receber o mesmo salário que os homens.

Entrevistou dezenas de líderes mundiais. Como define uma boa liderança?

Um bom líder tem de ter a coragem de seguir as suas convicções. Mas a liderança também significa cedências, não ir para as negociações com o ego em jogo. O que fez de Nelson Mandela um grande líder após ter estado quase 28 anos na prisão? Ele não acreditava num jogo desequilibrado. Não acreditava que o outro lado tivesse de ser esmagado para ganhar. Para negociar com o então presidente sul-africano F.W. de Klerk, ele tinha de compreender os brancos, tinha de ter aquela empatia, para eles não pensarem que ia passar por cima deles. Conversei com líderes em Israel e na Palestina que dizem que, para se fazer a paz, tem de se saber a história do outro - o que não é o mesmo que dizer que se aceita tudo sobre o outro, mas que se percebe que o outro também tem uma história. A minha mãe é católica, o meu pai é muçulmano e o meu marido é judeu. Vivi num ambiente completamente multicultural, multiétnico e multirreligioso, em alguns dos locais mais difíceis do mundo. Vi em primeira mão que se pode superar as diferenças. O truque é minimizar os extremos em qualquer tipo de relação e mantermo-nos no centro sensível.

"Liderança também significa cedências, não ir para as negociações com o ego em jogo", diz Amanpour

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