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Por Paula Brito

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Manuel Rocha, CEO da Adega de Borba, diz que os vinhos até 2 euros representam 80% do mercado.Futuro passa pelo reforço da exportação

Vinho: aposta é na exportação

04/04/2013 | 11:39 |  Dinheiro Vivo

O sector do vinho é um dos mais importantes na economia portuguesa. A crise que o país atravessa levou os produtores a reforçarem a aposta nos mercados externos, estratégia apoiada pela Wines of Portugal, da ViniPortugal.

Assim, segundo dados oficiais (ver aqui todas as estatísticas), 1,6% do valor total das exportações nacionais de bens é assegurado pelo vinho e 66% é a representatividade dos vinhos nacionais na exportação dos produtos "bebidas, líquidos alcoólicos e vinagres" portugueses. Feitas as contas, o sector dos vinhos totalizou 705 milhões de euros nas exportações em 2012, sendo que 42% é a quota de produção de vinho exportada.

O vinho representa 11% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) das Industrias Alimentares e Bebidas. Além de que Portugal ocupa o 10.º lugar no ranking do comércio internacional do vinho e o 12.º posto enquanto país produtor de vinho a nível mundial.

Neste contexto, Manuel Rocha, CEO da Adega de Borba, fala ao Dinheiro Vivo da sua experiência.

Como está o consumo de vinho em Portugal?

Conseguimos crescer, mas é um mix pobre. Há uma migração para produtos mais baratos. Comprar vinho mais barato é cada vez mais o driver. É uma tendência que está para ficar em 2013. O mercado português tem uma quota de mercado de 80% de vinhos até 2 euros.

A exportação é a solução?

A única hipótese de sobreviver é transformar o mercado nacional para exportação. Não é fácil, tanto mais que a imagem de Portugal não aporta valor acrescentado. O consumidor não reconhece Portugal como produtor de vinho. Existe alguma experimentação da parte do consumidor. O vinho mais conhecido é o do Porto, mas por um consumidor envelhecido. E o consumidor mais jovem não conhece o outro vinho. Depois há que enfrentar a Espanha, Itália e França, grandes concorrentes a quem se juntam os mais recentes como a Califórnia, Chile, Argentina, África do Sul, Nova Zelândia e Austrália. Temos uma boa relação preço-qualidade, mas ainda assim exportamos pouco, pois temos grandes dificuldades de penetração. Portugal devia estar a crescer 50% e não 8%.

Como correu a exportação em 2012 para a Adega de Borba?

Bastante bem. Estamos a crescer a dois dígitos. Isto em três clusters estratégicos. O primeiro: Brasil e Angola, onde Portugal tem maior quota de mercado de vinhos e onde existe um maior oportunidade. O segundo cluster é constituído pelo Reino Unido, Alemanha e EUA. Os mercados inglês e alemão são muito difíceis. As cadeias de supermercados fazem muita pressão para obter preços baixos. Os EUA é um mercado onde o consumo per capita cresce, logo mais simpático até por causa das comunidades portuguesas de imigrantes. O terceiro cluster é a China e a Rússia, com maior potencial e futuro. É onde apostamos todos os recursos não descurando outros mercados, como os da velha Europa, França, Luxemburgo, Suíça e até Canadá, países com consumidor com rendimento acima da média e que tende a ser experimentalista. Aí, Portugal tem uma quota abaixo de 1%. É um consumo de nicho.

Mas podia crescer mais com mais promoção?

Cabe aos produtores a principal tarefa de fazer promoção. As CVR e o IVV (Instituto da Vinha e do Vinho) podem alavancar essa promoção, mas existe um grande problema: maior parte dos produtores são de pequena dimensão. Não há escala para competir com outros países, que chegam melhor ao consumidor.

E a China, pode ser uma boa oportunidade?

Sim, mas também aí, mais do que defrontar os maiores produtores do mundo - que têm milhões de budget para investir - o mais indicado é ir para regiões de nicho.

Numa estratégia conjunta?

Não há estratégia consertada porque cada produtor tem dados que lhe permite tomar as decisões que entende. Estão todos muito concentrados em Xangai e Pequim. Se tiverem sucesso, são muitos milhões de consumidores, mas há outras cidades mais pequenas também importantes.

Como vê o futuro das exportações?

Não tenho dúvida de que a quota de vinho português vai crescer, até porque mais de uma centena de produtores estão comprometidos em aproveitar todas as oportunidades com propostas com alto valor na relação preço-qualidade e vinhos diferentes. Temos bons produtos, falta agora que cada vez mais consumidores saiba isso.

Já vendeu alguma garrafa de vinho Eusébio para fora?

Apesar de ser uma edição limitada de mil garrafas, já temos encomenda para Angola e Moçambique, tanto mais que é um ícone que ultrapassa o Benfica. Demonstra o que Portugal precisa de espírito combativo e de sucesso e foi graças a ele que o país se afirmou nos anos 60.

Sector dos vinhos totalizou 705 milhões de euros nas exportações em 2012, sendo que 42% é a quota de produção de vinho exportada

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