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Por Ricardo Reis

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O argumento a favor de uma expansão fiscal, usado nos debates sobre os EUA e a zona euro, não se aplica a Portugal

A armadilha de liquidez

10/05/2013 | 23:00 |  Dinheiro Vivo

O famoso Paul Krugman afirma perentoriamente que é na sua crença de que os EUA estão hoje numa "armadilha de liquidez" que se suportam todas as suas opiniões sobre política económica. Muitas defesas em Portugal de mais gastos e défices públicos usam esta velha ideia de Keynes. Estamos hoje nesta armadilha?

Nestes debates, a armadilha de liquidez refere-se ao poder das políticas monetária e fiscal de estimular a economia. Na armadilha, usar a política monetária para baixar as taxas de juro não funciona, enquanto usar a política fiscal, baixando impostos ou aumentando a despesa pública, é um remédio adequado para sair de uma recessão. Logo, a pergunta certa é se a política monetária, que é europeia, está hoje numa armadilha de liquidez, e se a política fiscal, que é portuguesa, também.

Nas primeiras cadeiras de licenciatura, muitos aprendem que a resposta será sim se as taxas de juro forem zero. Porque a taxa do BCE é 0,5% e a da dívida portuguesa é bem maior, concluem que não estamos nesse situação. Este nível de conhecimento pode dominar as comissões parlamentares, os jornais, e os blogues, mas neste caso não chega, e está mesmo provavelmente errado.

Começando pela política monetária, a armadilha de liquidez ocorre antes quando os agentes económicos estão aproximadamente indiferentes entre investir no banco central, em depósitos ou moeda, ou investir em ativos seguros na economia. Neste caso, quando o banco central cria dinheiro, os agentes vendem-lhe estes ativos em troca, sem com isso alterarem nenhum dos seus outros comportamentos e logo sem efeito no PIB. A enorme expansão nos últimos anos nas reservas que os bancos têm estacionadas no BCE, dando em troca dívida pública, é o melhor sinal de que a zona euro está nessa situação.

Já na política fiscal, a definição mais correta da armadilha de liquidez é uma situação em que um aumento no défice público não provoca um aumento nas taxas de juro que afetam o investimento e a poupança privada. Normalmente, um aumento na despesa aumenta quer a produção quer a inflação, e ambos levam a que o banco central suba as taxas de juro, retraindo o investimento e o consumo. Numa armadilha de liquidez, não só a taxa de juro não aumenta como também a subida da inflação leva a que, em termos reais, o retorno num empréstimo seja menor, logo estimulando a despesa privada.

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