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Por Luís Reis Ribeiro

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Compreensivelmente, a apresentação de 87 páginas que o IGCP levou aos grandes investidores vende Portugal de forma bastante abonatória

O país que Gaspar não mostra aos mercados

Passos, Portas e Gaspar
D.R.
09/02/2013 | 00:00 |  Dinheiro Vivo

Desemprego a caminho de 17%, licenciados sem trabalho há mais de um ano em nível recorde, explosão nos despedimentos coletivos, novas encomendas à indústria em queda livre (ver gráfico em baixo), estrangulamento no crédito às pequenas e médias empresas que vivem do mercado interno (a esmagadora maioria).

Mais: recessão maior do que o previsto, maioria dos empresários a dizer que investirão ainda menos em 2013 e que pretendem reduzir 14% da força de trabalho, salários líquidos da classe média a caírem 17% em apenas dois anos por causa dos impostos.

E mais ainda: emigração em massa de trabalhadores qualificados, queda do país nos rankings da inovação, alta incerteza em torno da manutenção da coesão social e política como nunca existiu até aqui, graças ao PS e à UGT.

Estes são alguns dos sinais que o governo não incluiu na apresentação que levou aos investidores estrangeiros de dívida pública, em janeiro deste ano, antes da primeira emissão (sindicada) de longo prazo, que permitiu um encaixe de 2,5 mil milhões de euros.

Compreensivelmente, a comunicação de 87 páginas que o IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública) levou aos grandes investidores globais vende Portugal numa perspetiva bastante abonatória, em que se toma a coesão social e política como um ativo sólido, que nunca refere a incerteza do ajustamento e da envolvente externa, que compensa a subida em flecha do desemprego com a constatação de que "os salários estão a ajustar, conduzindo a ganhos de competitividade".

João Vieira Lopes, o presidente da Confederação do Comércio e Serviços (CCP), reconhece que certas políticas seguidas, designadamente algumas que visam estabilizar o défice e a dívida, tinham de ser tomadas, mas queixa-se de que o governo "está a insistir demasiado na dimensão financeira e a esquecer a economia real". "Às vezes parece que vivem noutro país", desabafa.

A CCP representa perto de 200 mil empresas de pequena e média dimensão, mas também alguns grandes empregadores, e está em quase todas as atividades. Esta estrutura patronal, uma das quatro com assento na Concertação Social, considera que "a situação da economia real poderá acabar mesmo por refletir-se na perceção que os próprios mercados virão a ter das condições de Portugal para honrar os seus compromissos futuros (o regresso aos mercados expõe-nos ao olhar mais atento destes), provocando uma nova subida acentuada dos juros, o que, a acontecer, nos afastaria definitivamente da companhia da Irlanda e nos atiraria para os braços da sempre indesejável Grécia".

Desemprego a caminho de 17%, licenciados sem trabalho há mais de um ano em nível recorde, explosão nos despedimentos coletivos, novas encomendas à indústria em queda livre (ver gráfico em baixo), estrangulamento no crédito às pequenas e médias empresas que vivem do mercado interno (a esmagadora maioria).
Mais: recessão maior do que o previsto, maioria dos empresários a dizer que investirão ainda menos em 2013 e que pretendem reduzir 14% da força de trabalho, salários líquidos da classe média a caírem 17% em apenas dois anos por causa dos impostos.

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