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Por Ricardo Reis

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Bancos que não querem saber de lucros são animais perigosos. As Cajas e a crise financeira em Espanha comprovam-no

Sem fim lucrativo?

20/04/2012 | 23:00 |  Dinheiro Vivo

Se um vendedor me telefona a oferecer um brinde, desconfio que me vai ludibriar. Se me oferecem um investimento com retorno alto e garantido, sei que é melhor virar as costas. E, se lido com uma organização sem fins lucrativos, em vez de baixar a guarda e tentar ajudar, penso: que grande perigo.

Existem muitas pessoas por trás de uma organização. Cada uma dá o seu contributo e é recompensada em troca. Os trabalhadores dão o seu esforço e competências e recebem salário. Os credores dão fundos e recebem juros. Os acionistas dão capital e recebem os lucros.

Nas organizações sem fins lucrativos, não existem acionistas. Por isso, muitos pensam que estas instituições têm menos interesse em aproveitar-se delas. Mas, pelo contrário, a organização continua a querer extrair o máximo de receita vinda do meu bolso. Pode não pagar lucros, mas os trabalhadores querem melhores salários e edifícios luxuosos, os gestores querem bons carros e mordomias, e os credores querem receber os empréstimos de volta.

Nas organizações sem fins lucrativos que só têm dois ou três colaboradores, a própria distinção entre trabalhador, gestor e proprietário é ténue. Todos querem uma organização bem sucedida, o que, na maioria das vezes, implica gerar mais receita e criar mais valor. Tal e qual como numa empresa em busca de lucro.

Pelo contrário, eliminar a busca do lucro cria incentivos para um desempenho pior. Uma virtude do lucro é que ele só existe depois de todos os outros atores serem pagos. Logo, uma empresa que busca o lucro tenta fazer o melhor que pode para recompensar todos. Numa organização sem fim lucrativo, ninguém manda porque são todos iguais e os erros de cada um são partilhados na compensação de todos. Numa empresa, o proprietário manda e faz tudo o possível para que não haja ineficiências pois cada euro desperdiçado subtrai um euro aos seus lucros.

A crise financeira em Espanha é um bom exemplo destes princípios. Os problemas no sistema bancário concentraram-se nas Cajas, bancos regionais que cresceram a um ritmo estonteante financiando a construção e o imobiliário. As Cajas eram instituições sem fins lucrativos, que existiam para ajudar a comunidade. Na prática, isso significou ajudar os seus bancários a ter empregos confortáveis, ajudar os seus gestores a receber boas compensações e ajudar os políticos locais a ganhar eleições financiando maus projetos.

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