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Por António Perez Metelo

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Só concertação não levará a nada sem a capacidade de mobilização efetiva dos coletivos produtivos

Mudar de rumo

23/03/2012 | 02:17 |  Dinheiro Vivo

A luta económica dos trabalhadores em Portugal e o movimento sindical, que é suposto conduzi-la, recuam a olhos vistos. Está nos livros: a ressaca da bebedeira cíclica de expansão descontrolada, desta feita, do subprime, paga-se com o empobrecimento absoluto dos não detentores de capital, que constituem a esmagadora maioria da população. Sempre foi e sempre será assim, enquanto o capitalismo mantiver o funcionamento essencial, por mais que cada crise apresente a sua narrativa própria.

As unidades obsoletas, e as mais vulneráveis ao racionamento do crédito, são levadas pela enxurrada da recessão e, com elas, os empregos às centenas de milhar. É o que está a acontecer, aceleradamente, nos últimos cinco meses, e é imparável. As análises do ciclo económico vão apontando que estamos à beira da progressiva desaceleração da queda do produto e do emprego, até atingir o ponto de viragem no fim deste ano. Se o choque da presente crise cíclica, o maior desde 1974, deixa o cortejo de destruição empresarial e de encolhimento das redes sociais em favor dos mais necessitados e vulneráveis, as apostas estratégicas contraditórias das duas centrais sindicais enfraquecem a defesa consequente e efetiva do valor do fator trabalho.

Só concertação, para minimizar o recuo e manter regras operativas dos trabalhadores nas empresas onde trabalham, em prol da produtividade, do emprego e de uma mais justa repartição de rendimentos, não levará a nada, sem a capacidade de mobilização efetiva dos coletivos produtivos. Apostar só na contestação às novas relações laborais dá naquilo que se vê: o isolamento de uma minoria vanguardista sem qualquer resultado ou proveito.

O que o país produtivo precisa - contra a vontade de milhares de empregadores, que não o querem admitir e aceitar - é de mais contributos dos empregados na vida das suas empresas, baseados numa relação mais aberta e leal entre administrações e comissões de trabalhadores. Os exemplos positivos deste modelo, dir-se-ia de cogestão, têm dado excelentes resultados neste país, como em outros. Capacitação, informação, responsabilização e remuneração adequadas são as forças que produzem altos desempenhos e expansão sustentada de produções. CGTP e UGT têm de potenciar a sua intervenção neste terreno. E o Governo devia ser o primeiro a incentivar e divulgar este modelo de progresso e sucesso, empenhado que se diz em aumentar, e muito, o potencial produtivo da economia portuguesa.

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