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Por Paulo Ferreira

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Em 'A Classe Média: Ascensão e Declínio', Elísio Estanque retrata o País e como o seu destino se confunde com o da classe média.

Classe média: Já não há novos-ricos, só há novos-pobres

Anos 80/90, tempos de prosperidade.
D.R.
02/03/2012 | 19:40 |  Dinheiro Vivo

Desta vez não precisamos de ler no jornal ou ver na televisão. Sabemos bem o que se está a passar porque somos nós os protagonistas. Nós, a classe média. Por experiência própria ou muito próxima, sabemos que há crianças que estão a sair do colégio privado para frequentar a escola pública. Que o almoço diário no snack bar da esquina foi substituído pela comida levada de casa. Que a carrinha alemã comprada há 10 anos a crédito fica agora parada à porta de casa, enquanto vamos trabalhar de transportes públicos. Que o condomínio é cada vez mais difícil de pagar e que as saídas para jantar foram drasticamente reduzidas, tal como as escapadas de fim de semana. E que as férias lá fora passaram a ser cá dentro.

Pior é quando deixa de se poder pagar a prestação da casa ao banco ou quando até as marcas brancas dos supermercados são demasiado caras.A economia do País não é mais do que o somatório de milhões de pequenas economias domésticas. E desta vez o abalo é suficientemente grande para que não seja intensamente sentido por toda a gente.

Da leitura de A Classe Média: Ascensão e Declínio, do sociólogo Elísio Estanque (ed. Fundação Francisco Manuel dos Santos, janeiro de 2012) há uma ideia que fica clara: o destino do País confunde-se com o destino da classe média. Foi assim com a prosperidade ilusória. É agora assim com a austeridade. Acabou o tempo dos novos-ricos. Chegou a hora dos novos-pobres. E foi tudo muito rápido.

A avaria do elevador socialSomos atores principais de tempos raros. Hoje, é generalizada a noção de que a próxima geração vai viver pior do que a nossa. Sempre assistimos ao inverso disso, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial. Olhamos para trás e constatamos que vivemos melhor do que os nossos pais, que por sua vez já tinham vivido melhor do que os nossos avós. Com mais conforto e melhores condições de vida, mais instruídos, com carreiras profissionais mais bem remuneradas, crescentemente com acesso a mais mundo. Sabemos que isso já não está a acontecer, em muitos casos, com os nossos filhos.O que correu mal no elevador social?

A democratização do ensino, sobretudo após o fim da ditadura, foi decisiva para engrossar as fileiras da classe média. E foi um bem só por si, ao permitir uma maior igualdade de oportunidades - questão diferente é saber o que fizemos nós com tanta habilitação literária.

A Classe Média: Ascensão e Declínio retrata a sociedade atual. Do fim dos novos-ricos ao surgimento dos novos-pobres.

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