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Por Miguel Pacheco

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No Brasil, o ministro-interino para a Indústria deixa um aviso: o investimento chinês só é bem vindo se criar valor para o Brasil

"Se os chineses, como outros, vierem explorar os recursos naturais do Brasil não os queremos"

O ministro-interino Alessandro Teixeira
D.R.
20/02/2012 | 16:32 |  Dinheiro Vivo

Com a compra de 21,5% da EDP, os chineses da Three Gorges entram também no negócio de eletricidade no Brasil. Para além de barragens e parque eólicos, a elétrica portuguesa controla também parte da distribuição nos estados de São Paulo e Espírito Santo.

Com um lucro líquido de 92 milhões de reais (40 milhões de euros), a EDP Brasil faz parte do plano de investimentos proposto pela Three Gorges. Logo na conferência de imprensa onde anunciou o novo acionista da EDP, a secretária de Estado do Tesouro, Maria Albuquerque, fez questão de sublinhar que a "EDP fica intocada no Brasil", garantindo que os chinese não entrariam no capital acionista da subsidiária brasileira.

Hoje, dois meses depois da decisão que afastou a Electrobras da corrida à EDP, o ministro interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alessandro Teixeira, garante que entende a decisão do Governo português, mas lembra que o Brasil nunca aceitará a exploração dos seus recursos naturais por investidores estrangeiros

Com a Europa em recessão e a América Latina, África e Ásia a explodirem, o interesse brasileiro está cada vez menos no Velho Continente?

A Europa é uma grande dúvida. Temos acompanhado diariamente a crise na Grécia, as dificuldades que têm atravessado Espanha, Grécia e Portugal. Nunca vamos deixar de perder o interesse na Europa, continuando a utilizar essa porta também para a Ásia. Mas obviamente que o mundo todo olha para o Brasil, China, África do Sul e Caribe como as regiões que estão mais quentes. E para o Brasil, as prioridades são sempre a América Latina e os países da África, nomeadamente os de língua oficial portuguesa. Angola e Moçambique são países importantes onde a plataforma Portugal-Brasil pode funcionar.

Os investimentos portugueses caíram um pouco no último ano, mas nos últimos seis anos, Portugal tem feito uma nova vaga de investimentos, nomeadamente na área de hotelaria. Com a crise na Europa, acredito que o Brasil será cada vez mais um objetivo para os planos de expansão das empresas portuguesas fora da Europa.

Fala de uma parceria mais forte Portugal-Brasil. A recente privatização da EDP, onde a Electrobras foi derrotada, entra nessa categoria?

Não posso comentar muito o caso da EDP. Tentámos e tínhamos uma oferta coerente. Nós temos um grupo de empresas interessados em crescer na Europa e Portugal é um parceiro estratégico, não só para os investimentos no Brasil, mas também para os investimentos brasileiros lá fora.

Mas como é que viu a escolha do Governo português? Com três opções - brasileiros, alemães e chineses - acabou por escolher os últimos. Faz sentido? Sobretudo quando se fala tanto de uma aliança estratégia?

Não foi uma questão do Governo português escolher. A melhor proposta era chinesa e era oferta pública. Tentámos fazer o melhor, mas ganhou a melhor proposta financeira. Há muitas reticências no Brasil quanto aos investimentos chineses, sobretudo no que diz respeito à exploração de recursos naturais. A eletricidade é um desses casos.

Os investimentos chineses cresceram e o Brasil tem tratado os investimentos de uma forma igualitária. Para nós, desde que seja um investimento produtivo, para criar valor, tudo bem. Agora, se for para explorar a nossa biodioversidade, a nossa natureza, aí não queremos.

*No Rio de Janeiro

EDP-Brasil teve um lucro de 40 milhões de euros, mas a Three Gorges, no Brasil, só será parceira em investimentos

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