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Por Paula Brito

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Master sommelier alemão veio a Portugal provar e selecionar os 50 melhores vinhos portugueses para vender na Alemanha

Hendrik Thoma: Vinho português "tem de envolver-se e trabalhar o perfil da diferença"

Master sommelier alemão
D.R.
08/04/2014 | 13:48 |  Dinheiro Vivo

O master sommelier alemão Hendrik Thoma veio a Portugal provar e selecionar os 50 melhores vinhos portugueses para vender na Alemanha, que serão revelados brevemente.

A Alemanha constitui o 7.º destino de exportação dos vinhos portugueses e o 2.º em vinhos tranquilos, com crescimento de 11,7% em valor. O objetivo para este mercado, a três anos, é crescer 14%, tendo um investimento de 260 mil euros.

Ler mais: 50 vinhos portugueses... para Brasil apreciar

Ao Dinheiro Vivo, Hendrik Thoma, que esteve em Portugal a convite da ViniPortugal, explica que a sua relação com o vinho português tem quase 20 anos. "Observei e previ esta explosão em termos de qualidade", diz.

Qual a perceção do vinho português no mercado alemão?

É muito positiva. Muitos alemães têm contacto com os vinhos portugueses durante as suas férias. Depois voltam para casa e nunca mais encontram a maioria das marcas, o que é uma pena.

O facto de Portugal ser um país intervencionado pela Troika prejudicou a imagem dos vinhos portugueses?

Não creio.

Como pode o vinho português continuar a crescer na Alemanha?

Tem de envolver-se e trabalhar o perfil da diferença. O vinho é um negócio muito pessoal.

Quem são os principais concorrentes dos vinhos portugueses neste mercado?

Portugal tem um nicho na Alemanha e concorre com todos. Mas desde que tenham um estilo muito individual, os vinhos portugueses não têm, estatisticamente, concorrentes diretos.

Acha que deve haver uma estratégia para o comércio e outra fora do do comércio, ou as marcas devem ter um posicionamento abrangente?

Sim, a parte trade é menos emocional. É guiada por números e por uma elevada competição por espaço nas prateleiras. Não funciona por simpatia. Já o negócio dos restaurantes [on trade] é mais emocional e funciona como uma rede.

Você tem mais de 16 mil fãs no Facebook e 4 mil seguidores no Twitter. As redes sociais podem ser uma via para a promoção do vinho?

Não conheço muitos países produtores de vinho que levem muito a sério as redes sociais, exceto os EUA. Em muitos casos, adegas ou organismos estão presentes da maneira que julgam ser importante estar. Mas depois de algum tempo, como não conseguem o retorno que querem desistem. Os media sociais simplesmente funcionam de forma diferente em relação aos tradicionais, mas podem criar um grande capital para uma marca. É preciso ser verdadeiro e apaixonado no Facebook e no Twitter e interagir com os clientes. Eles são o valor mais importante. É preciso ter perguntas e ser rápido a responder. É preciso dar aos clientes uma experiência pessoal e entrar em diálogo com eles.

Qual a sua opinião sobre os vinhos tranquilos, generosos e espumantes portugueses?

Os primeiros vinhos portugueses de que eu gostei foram do Douro. Foram também os primeiros que apresentei. Mais tarde descobri as regiões do Dão, Bairrada e Vinho Verde e gostei deles, por causa da frescura. Mas temos sempre os vinhos alentejanos, que eu adoro e estou interessado em aprender mais sobre eles.

Existe um mercado específico para os Portos e Madeira e outro para as restantes regiões? Que vantagens podem estes vinhos ter no mercado alemão?


Estranhamente, num clima frio como o alemão, os vinhos fortificados irão continuar a ser um nicho. Não temos uma história como os britânicos têm convosco. Mas poderia funcionar melhor se estes vinhos clássicos não fossem vistos apenas como vinhos de sobremesa. Penso que o Madeira e o Porto são vinhos de lazer, para apreciar com tempo de qualidade. Mesmo como aperitivo, funciona muito bem com comida. E os bares e as casas de vinhos deviam focar-se como um grupo-alvo e compradores potenciais.

O que acha das castas portuguesas e da tradição dos blends que caracteriza os vinhos portugueses? Podem ser uma vantagem junto dos consumidores alemães?


A primeira mensagem é que Portugal é uma marca de diversidade, depois que as regiões têm o seu estilo e por fim que as uvas são um USP [unique selling product]. E na verdade o consumidor médio não conhece nada sobre estas variedades.

Considera uma boa ideia eleger a Touriga nacional como casta-bandeira do vinho português?

É certamente uma das melhores castas, mas não a única. De algum modo, faz sentido promovê-la, mas a maioria dos mercados não irão reconhece-la durante muito tempo. Mas não se deve desistir de ensinar os consumidores.

O que é preciso para convencer os grandes compradores e sommeliers a colocarem os vinhos nas cartas dos grandes restaurantes?

Convidando-os e ensinando-os sobre o que está a acontecer e mostrar-lhes as experiências da verdadeira cozinha portuguesa acompanhada pelos melhores vinhos. Muitos não sabem nada sobre a vossa cultura e vinhos. Se Portugal quer estar nas melhores listas de vinhos, tem de fazer quem decide acreditar no vinhos portugueses.

Alemanha é o 7.º destino de exportação dos vinhos portugueses e o 2.º em vinhos tranquilos, com crescimento de 11,7% em valor

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