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Por Mariana de Araújo Barbosa

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Aproveitam o desperdício dos cafés de Almeirim e produzem kits de cogumelos. A Europa do Norte é a próxima aposta

Cogumelos em borras de café

Gumelo é um dos negócios mais originais
Diana Quintela
02/02/2013 | 00:57 |  Dinheiro Vivo

Pegue na embalagem de papel e corte-a pelo picotado. Faça um 'x' com uma faca na proteção de plástico, coloque a caixa numa zona da casa com luz mas sem exposição direta ao sol e borrife com água. Duas borrifadelas por dia. Nem mais, nem menos. Espere dez dias. Vai ver os seus ecogumelos crescerem. Colha-os, lave-os, ponha-os num tacho. Cumpra a receita. Os seus cogumelos produzidos a partir de borras de café estão prontos a servir.

João Cavaleiro, Rui Apolinário e Tiago Marques, todos com 32 anos, conhecem-se desde miúdos, altura em que viviam todos em Almeirim. Em 2009, João, que estudou Microbiologia, encontrou e leu vários artigos sobre experiências feitas noutros países que envolviam cogumelos feitos com matéria de desperdício e decidiu começar a fazer experiências em laboratório.

Dois anos depois das primeiras experiências - e de testar a produção noutros ambientes fora do laboratório -, chegou à solução certa: um substrato estável que permite produzir cogumelos comestíveis a partir de borras de café. Mais uma confirmação da lei de Lavoisier. "A ideia é gerar um alimento de valor acrescentado a partir de material vulgarmente tratado como desperdício", diz João Cavaleiro ao Dinheiro Vivo.

Em Portugal, geram-se mais de 65 mil toneladas de borras de café anualmente - consideradas desperdício, já que apenas 0,2% do café é usado para fazer um expresso. Para além do impacto negativo no meio ambiente, esta quantidade de borras de café daria para produzir mais de 13 mil toneladas de cogumelos frescos. Desde o início do projeto e até ao final do ano passado, a Gumelo tinha reaproveitado cinco toneladas de borras de café.

"O grande passo foi passar de uma pequena escala de produção - em laboratório e em casa - e transpor os bons resultados para uma escala maior. Decidimos tentar encontrar gente que quisesse apostar no projeto mas, já durante o processo - e com interesse de vários investidores -, percebemos que não era alternativa. Queríamos uma coisa nossa", explica João Cavaleiro.

A Gumelo aproveita o desperdício de cafés e restaurantes para produzir kits que aproveitam borras para produzir cogumelos

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