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Por Sílvia de Oliveira

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O Banco de Portugal avalia, como é sabido, os vários riscos de quem entra e de quem reforça no capital dos bancos

Os angolanos têm concorrência

25/04/2012 | 08:25 |  Dinheiro Vivo

Não há memória de um caso como este e só mesmo no meio desta crise, que deitou abaixo a economia portuguesa, os seus investidores e os seus bancos, é que isto é possível. O La Caixa, um dos maiores grupos financeiros espanhóis gasta menos de 100 milhões de euros e sem ter que lançar um a oferta pública de aquisição (OPA) passa a controlar quase 50% do BPI, tornando-se no seu indiscutível dono. Agora não restam dúvidas, o principal acionista de um dos maiores bancos portugueses é um dos seus maiores concorrentes, um dos maiores grupos financeiros espanhóis.

Já sabíamos que a falta de dinheiro potenciou a vulnerabilidade dos investidores e das instituições em Portugal, da banca em particular, e agora vemos melhor que este movimento poderá ser apenas o início de uma profunda alteração na estrutura de capital dos principais bancos nacionais.

O La Caixa é demasiado grande para não pensar em mais do que "estreitar laços" com o BPI e apenas com o BPI. Agora, não, porque, primeiro, há que sair de um processo de recapitalização que ainda nem começou, mas com esta operação o La Caixa já conseguiu garantir um dos melhores lugares para discutir quando se tratar de saber quem controla o quê na banca em Portugal.

Agora, na sala existem angolanos, chineses, brasileiros e... espanhóis. Agora, o Estado angolano, quer através da Sonangol, principal acionista do BCP com cerca de 15%, quer da Santoro, a holding de Isabel dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos, com menos de 10% do BPI, tem concorrência. Aparentemente, o La Caixa também está muito interessado no negócio.

É, pelo menos, o que revela o recente reforço em grande do La Caixa no BPI, esta vontade de "reforçar laços" - expressão utilizada por Isidro Fainé, o presidente do La Caixa, na véspera do anúncio do negócio.

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