...
28/07/2014 | 21:28 | MOBILE | RSS
+-TEXTO

Por André Macedo

PUB
Editorial

As cinco chaves da semana

04/05/2012 | 23:00 |  Dinheiro Vivo

Aplique a diáspora e esfregue bem

Diáspora não é uma doença de pele e Cotec não é a pomada para aplicar duas vezes ao dia nas zonas afetadas. Não vale a pena consultar o seu médico. Diáspora foi a palavra mais repetida ontem no encontro que a Cotec (Associação Empresarial para a Inovação) organizou em Cascais e que teve o privilégio de juntar 24 grandes (enormes, gigantes, poderosos) gestores portugueses ou lusofalantes com responsabilidades em multinacionais, digamos, universais.

Não há qualquer dúvida de que a ideia de juntar estas cabeças é excelente em qualquer momento, mas numa altura de enormes desafios ainda o é mais, até porque permitiu juntar à equipa não apenas Passos Coelho e Cavaco Silva, mas também Durão Barroso.

Ora bem, com estes ingredientes surpreende a pobreza do resultado (conhecido). Faz algum sentido fazer um happening deste calibre e esconder os gestores - ninguém pôde falar com eles - e dar voz apenas aos políticos que ouvimos todos os dias? O encontro de ontem é o retrato do país: somos uma oportunidade estragada pelo gasto statu quo político-partidário. Saiam da frente, bolas, deixem ver os fazedores. Ontem era o dia deles.

Ponto final - A reunião de ontem reflete o nosso atraso. Não o resolve.

O Pingo Doce sem nódoa

Há pelo menos duas maneiras de olharmos para a ação de guerrilha social do Pingo Doce. A primeira (sobre a qual escreve o Pedro Bidarra - eia aqui) sublinha a notória e notável incompetência dos sindicatos em saber aproveitar o momento histórico que vivemos para mobilizar as pessoas até para o 1.o de maio - talvez até aproveitando, já em andamento, a fantástica boleia do Pingo Doce. A segunda maneira de olharmos para o fenómeno de terça-feira realça o seguinte: como é fácil criar assunto em Portugal!

Numa altura em que só se fala de fragmentação do interesse das pessoas, uma marca de supermercados dominou por completo a atenção de um país inteiro. Nem todos gostaram, é verdade - os moralistas de direita sentiram-se repugnados com a visão do povo em delírio (uma fila de fãs da Apple é bem mais chique); os de esquerda ficaram previsivelmente enojados com o poder de atração hipnotizante do maravilhoso arroz carolino a preço de saldo.

Convém esclarecer estas almas penadas que o que aconteceu em Portugal aconteceria em todo o lado, de Oslo a Beirute, com uma diferença - não teria o foco mediático que teve porque ações destas são mais comuns noutros lados.

Ponto final - Pingo Doce em alta.

A nódoa do Pingo Doce

A ASAE é aquela entidade que gosta de prender belíssimas e tenras morcelas e que, no meio de um combate sério à insegurança alimentar, arrasa tudo o que é tradição e património gastronómico nacional. Além deste detalhe, a ASAE é agora também a agência que coloca notícias em off nos jornais a apontar apressadamente possíveis ilegalidades na ação do Pingo Doce.

Não sei se houve ou não dumping, mas sei que a ASAE tem a obrigação de apenas revelar as conclusões quando tiver concluído a investigação e de fazê-lo com toda a transparência e com todas as explicações, tintim por tintim. Filtrar informação parcelar, como fez anteontem à noite à Antena 1 (hoje saiu um comunicado às 17h00), é pura intoxicação: é veneno e uma podridão.

O assunto é sério, não por causa desta operação da Jerónimo Martins mas porque, além dos descontos, o Pingo Doce permitiu que a atenção nacional se possa centrar num problema verdadeiramente grave: o esmagamento de preços a que são sujeitos os produtores, obrigados a vender ao Continente-Pingo Doce o pouco que produzem a preço de fome.

Ponto final - O duopólio Continente-Pingo Doce deve ser investigado. Não hoje, sempre.

O BES livrou-se do Estado

Esta semana vai ser muito interessante para os bancos. Se não for na próxima semana, será na seguinte. Ou na seguinte. Na verdade, há quase um mês que se aguarda a portaria do governo que vai regular o acesso dos bancos ao fundo de capitalização de 12 mil milhões de euros.

De que forma podem os bancos aceder a este dinheiro? Quanto poderá ser em forma de capital contingente (CoCos) e a partir de que valor o Estado terá mesmo de ficar com uma participação acionista direta? Em qualquer dos casos, que limitações serão impostas à gestão dos bancos ajudados? Poderão financiar OPA, poderão pagar bónus à gestão? Poderão fazer aquisições? O que acontecerá aos dividendos?

As perguntas são muitas e em quase todas é certo que ter o Estado como acionista é justamente considerado um peso e um risco. É por isso que a maldita portaria tarda em sair: as negociações são intensas e o assunto muito delicado. Ninguém pode desejar ter bancos (quase) nacionalizados, porque isso mata o negócio e desvirtua a economia. O BES, com menos problemas do que outros, é único que já se livrou desta cruz. Fê-lo com o dinheiro dos seus acionistas e algum contorcionismo. E agora tem as mãos livres para atacar um mercado difícil e arriscado, mas também com oportunidades de investimento únicas - ou seja, baratas.

Ponto final - O governo está a demorar uma eternidade a definir a forma de acesso dos bancos ao fundo de capitalização.

O mau conselho de Borges

António Borges, o consultor para as privatizações nomeado pelo governo, é um caso extraordinário. Além de deixar sempre no ar a impressão de que não acaba nada do que começou, agora quer fechar com a máxima urgência aquilo que ainda mal arrancou. Recomendar entusiasticamente a venda da Cimpor e dar como muito bom o preço (baixo, ridículo) oferecido pela Camargo Corrêa é não entender o seu papel nesta história.

Ora bem, se Borges não percebe o que lhe é pedido pelo governo, faço-lhe a gentileza de explicar: a Caixa Geral de Depósitos tem 9,6% da Cimpor para vender. Sendo claro que o deve fazer, o banco do Estado tem de ter uma só preocupação: conseguir o melhor preço possível. Não é preciso ter um MBA do Insead para saber que nunca se aceita a primeira oferta. Isto é válido para quase tudo nos negócios, mas numa OPA é o bê-á-bá.

No caso da Cimpor, sendo evidente que a cotação atual das ações não reflete o valor da empresa (que já esteve nos 7,6 euros por ação e a oferta é de 5,5), o mínimo que se exige a Borges é que se deixe de facilitismos, apesar dos vários erros que já cometeu neste processo.

Ponto final - Borges está a dar fracos conselhos na OPA da Cimpor.

Opinião&Blogs
O risco da improbabilidade
Por  Sílvia de Oliveira
02:46
Dignidade   Por  João Adelino Faria
02:42
É sempre a subir   Por  Ricardo Reis
02:42
Tenho uma Cassandra dentro mim   Por  Pedro Bidarra
Slideshows
Judeus e Árabes "recusam-se...