África

Investir no turismo em Angola como no Dubai

Luanda, Angola

Angola é "virgem nesse aspeto", lembrou presidente do Fórum Mundial num encontro que até contou com François Hollande.

O presidente do Fórum Mundial do Turismo disse hoje em Luanda que, em termos de turismo, Angola é “virgem” e que isso a torna um dos principais países da África Austral para investir. Bulut Bagci, de nacionalidade turca, está em Angola onde organizou a reunião anual do Fórum Mundial do Turismo (WTF, na sigla inglesa), destacou que o território angolano tem um potencial “muito grande”, quer ao longo dos mais de 1.600 quilómetros de costa quer no interior, em que os parques nacionais dominam.

“Angola é um país virgem. Muito, muito virgem. Há imensos produtos em África, especialmente na África do Sul, onde há o [Parque Nacional do] Kruger, no Quénia, que tem outros parques nacionais, o mesmo se passando na Tanzânia, mas Angola tem a vantagem de juntar os três num só [parque], o que Quissama”, defendeu, salientando a aposta que o governo angolano está a fazer no país.

No entanto, referiu, “falta uma das coisas mais importantes”, que são as infraestruturas, “que não são desenvolvidas”. “A primeira coisa que Angola deve fazer é focar-se na construção de infraestruturas nos destinos turísticos [estradas, aeroportos e transportes]. Há um enorme parque nacional em Quissama, mas não existem infraestruturas apropriadas. Mas obtivemos um claro comprometimento do Presidente [angolano, João] Lourenço”, salientou Bulut Bagci.

Num encontro que contou até com conselhos do ex-chefe de Estado francês, François Hollande, Angola foi mesmo rainha. Hollande elogiou a ideia de Luanda de escolher o turismo como setor prioritário para diversificar a economia do país. E deixou como pista os sete passos que o país africano pode dar para melhor se tornar num dos principais destinos turísticos de África. Começando pela criação de infraestruturas, escolha de operadores nacionais e internacionais de alto nível, definição de lugares a serem preservados, definição de produtos turísticos para todos os níveis com preços razoáveis, segurança para quem visita o país, redução dos níveis de poluição do ambiente e, por último, investimento em tecnologia e inovação, para facilitar a comunicação dos turistas com o resto do mundo, conforme escreveu o Mercado.

Sobre o fórum, iniciado quinta-feira e que encerra sábado, o presidente do WTF insistiu também no potencial costeiro de Angola. “Angola tem uma enorme zona costeira. Mais de 1600 quilómetros. Isso é bom para o país. Podem ser construídos resorts nessa zona”, referiu, lembrando que Angola tem apenas um hotel de cinco estrelas e não conta com as grandes multinacionais do setor, como os grupos Hilton ou Marriot.

“Angola tem de se focar também na atração das principais cadeias de hotéis mundiais. Pode ser que, até ao fim do ano, uma das grandes cadeias internacionais possa instalar-se em Angola”, referiu Gulut Bagci, não adiantando pormenores, mas questionando-se por que razão não há investimento das empresas portuguesas no setor.

Para o presidente do WTF, o futuro do turismo em África é “bom”, uma vez que “o futuro do mundo está em África”, perspetiva que considera “óbvia”, face à numerosa existência de locais por explorar.

“É altura de os países virem para Angola investir, não só em Angola, não só em Moçambique, mas também na Namíbia, no Botsuana. Há muitos locais por explorar na África Austral e Angola é um dos ideais para o investimento”, frisou.

Sobre o memorando de entendimento assinado com o Ministério do Turismo angolano, em que ficou garantido que o WTF vai investir nos próximos cinco anos cerca de 910 milhões de euros no desenvolvimento do setor turístico em Angola, Bulut Bagcireferiu que a aposta no país é “grande”.

“Não tencionamos ficar por aqui, só com o Fórum. Há planos para trazer para Luanda vários eventos em contínuo nos próximos cinco anos. Ao longo desse período vamos trazer eventos paralelos, menores que o Fórum, para promover o destino Angola. Estamos muito satisfeitos com Angola, graças ao presidente e ao governo”, sublinhou.

Sobre a realização do Fórum, Bulut Bagci manifestou-se otimista face ao número de delegados presente, cerca de 1.500, maioritariamente da Europa, mas também da “sua” Turquia, dos países árabes e das Américas. “É uma oportunidade para todos eles para saberem o que está a acontecer no país, observar o ambiente, porque isso é muito importante observar o ambiente local. Se o ambiente de negócios for apropriado então isso é bom”, referiu.

O acordo com o governo angolano prevê a intervenção em vários projetos de investimento, destacando o polo de turismo proporcionado pelo Parque Nacional da Quissama, no litoral a sul da província de Luanda, já na do Bengo. O presidente do WTF manifestou também interesse no Polo de Desenvolvimento Turístico de Cabo Ledo, cerca de 120 quilómetros a sul de Luanda, estando em estudo a possibilidade de se construir infraestruturas turísticas que incluam campos de golfe.

Bulut Bagci destacou ainda que o Fundo tem em carteira um projeto de investimento ligado ao turismo no centro da cidade de Luanda e citou experiências do Dubai e de países como a Turquia, Espanha e África do Sul, que implementaram modelos de desenvolvimento turístico e tiveram sucesso. Nesse sentido, chamou a atenção para a necessidade de o setor do Turismo ser visto, para além da construção de hotéis, na perspetiva da educação e formação de recursos humanos.

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