Angola

Maior seguradora angolana cresce e já tem mais de 35% do mercado

Baía de Luanda 
(Fotografia: Reuters)
Baía de Luanda (Fotografia: Reuters)

Escolhida para privatização, ENSA manteve-se líder do mercado angolano, com destaque para a Saúde, que representa já metade do negócio.

A ENSA, seguradora angolana de domínio integralmente público, não só continua a deter a liderança do mercado como cresceu 0,3 pontos, invertendo a tendência dos últimos anos e assegurando já uma quota de 35,29%, de acordo com dados da Associação de Seguradoras de Angola. O resultado positivo – apesar de prejuízos devido à necessidade de limpar contas – fortalece valor da companhia, que está no lote de empresas angolanas detidas pelo Estado escolhidas para privatização.

O volume de prémios emitidos pela seguradora, na mesma proporção, permitiram projetar os resultados, subindo os prémios além da média do mercado (+35%), com a ENSA a ter já praticamente metade do seu negócio assegurado pelo ramo Saúde, que representou 49% do volume de negócios, seguido dos acidentes de trabalho e pessoais (17%) e petroquímica (16%). “O rácio de cobertura das provisões técnicas foi o segundo mais elevado desde 2016, ficando nos 165%”, comunicou esta tarde a seguradora angolana, cujo rating se manteve em B- (S&P), em alinhamento com a notação financeira do país.

“Em 2019, a ENSA manteve a sua política de aposta nos recursos humanos, tendo reforçado ações para a sua formação e dinamização”, explica a companhia, que no final do ano contava com 634 colaboradores diretos em todas as províncias do país. “Foi ainda empreendido um esforço de saneamento financeiro das contas assente na implementação de uma política mais conservadora quanto à constituição de provisões técnicas e de provisões para prémios em cobrança, os quais, com a conjuntura económica global desfavorável, tenderam a se agravar em volume e antiguidade. Em consequência desse saneamento, que foi abrupto mas necessário para a estabilidade da empresa, a ENSA encerrou o ano de 2019 com um resultado líquido negativo de 9, 945 mil milhões de kwanzas, mas uma solvabilidade em linha com as exigências regulatórias.”

Sendo este um ano de ainda mais desafios, a seguradora antecipa que o setor será novamente afetado por fortes abalos e elevada competitividade, lançando assim um plano estratégico que permite valorizar a empresa, uma das selecionadas para ser comprada por investidores privados no âmbito do ProPriv.

“O Decreto Presidencial n.º 250/19, de 5 de agosto, lançou o mais recente Programa de Privatizações de Angola (ProPriv), selecionando a ENSA para privatização no decurso de 2020 e desde logo destacando-a como um dos ativos mais relevantes do Estado a alienar”, sublinha a companhia no dia de apresentação de resultados referentes ao último ano.

Sendo um dos ativos mais relevantes a privatizar, o Conselho de Administração da ENSA, que nesta tarde apresentou resultados em reunião virtual, entende que é necessário “otimizar o funcionamento da empresa, preparando-a convenientemente para a privatização, modernizando-a nos seus modelos de governance, comercial e tecnológico”, pelo que incluiu no seu plano estratégico para o triénio uma série de medidas relevantes que incluem a simplificação da estrutura interna de direções para maior eficiência, a alteração do local da sede e a otimização da qualidade dos dados, da sua usabilidade e das funcionalidades dos sistemas atuais.

“A criação de uma cultura organizacional focada essencialmente na meritocracia e na gestão por objetivos; a potencialização dos novos talentos com aproveitamento do conhecimento histórico acumulado; o aperfeiçoamento dos procedimentos internos de contratação; a inovação na criação, comunicação e comercialização de produtos, nomeadamente através do uso mais intenso de tecnologias digitais; e o parqueamento mais adequado do seu património imobiliário histórico e do seu acervo de arte, com uma redinamização da sua preservação e rentabilização” são outros objetivos definidos.

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