Luanda Leaks

Sonae e Mello podem assumir NOS e Efacec

Isabel dos Santos com o CEO da EFACEC, Ângelo Ramalho, e o então ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral
(Pedro Granadeiro/Global Imagens)
Isabel dos Santos com o CEO da EFACEC, Ângelo Ramalho, e o então ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral (Pedro Granadeiro/Global Imagens)

Saída-relâmpago da angolana e dos seus homens de confiança das empresas aqui evita contágio, quebra de valor e um pesadelo para o governo português.

Não é só a presença na banca que está a causar preocupação em Portugal. Na última década, a empresária angolana, que continua a negar veementemente todas as acusações de que é alvo, fez aqui investimentos muito significativos e que até agora parecem não ter criado alarme quer junto das autoridades de supervisão quer das políticas. Nos últimos dois dias, depois de ter sido constituída arguida pela justiça angolana, Isabel dos Santos terá sido pressionada a cortar laços com as empresas que detém em Portugal. E assim também os seus homens fortes e administradores a ela ligados, Mário Leite Silva (ex-chairman da Efacec) e Jorge Brito Pereira (ex-chairman da NOS), ambos igualmente arguidos.

A grande incógnita que se mantém é a Galp, onde a angolana detém ainda em parceria com a Amorim uma fatia de 33,34% – e não deu ainda sinal de retirada.

Quanto à NOS, o afastamento já produziu efeitos: a empresária anunciou que estava vendedora e três administradores deixaram os cargos não executivos. Agora, a Sonae, parceira de Dos Santos na Zopt, está a “acompanhar a situação com atenção e preocupação”, enquanto avalia qual é a melhor forma de assumir a totalidade da participação na operadora, agora que a empresária abriu essa porta.

Da Efacec, a empresária e os seus dois homens fortes em Lisboa também já anunciaram uma “saída com efeitos definitivos” e Isabel dos Santos pediu à administração que arranque com urgência com “as diligências necessárias para concretizar a sua saída da estrutura acionista”.

É, portanto, clara a tentativa de fazer um corte limpo e urgente com as empresas portuguesas em que está presente – e há quem veja aqui sinais de intervenção política. É que se um problema num banco (mais um) seria uma catástrofe financeira e política, a queda da Efacec e consequente desemprego de 2400 pessoas seria um pesadelo social que ninguém quer sequer pensar em ter de enfrentar.

Como vai Isabel dos Santos concretizar a saída? Depende. O cenário em avaliação para a NOS passa pela Sonae, que preveniu no acordo de formação da Zopt formas de resolver uma situação de crise acionista, considerando serem donas em partes iguais dos 52% na NOS. Comprar a outra metade da Zopt põe nas mãos da Sonae a totalidade do veículo. Controlando mais de metade da operadora, poderá mais tarde vender parte dos 52% no mercado, assim estejam asseguradas condições favoráveis.

Já nesta semana, o grupo liderado por Cláudia Azevedo assegurou que “tudo fará para garantir que a NOS tem a estabilidade necessária para continuar a servir os seus diversos stakeholders e gerar valor para a economia portuguesa”.

Quanto à Efacec, a solução mais provável passa pelo Grupo José de Mello – que recentemente perdeu a gestão das PPP nos hospitais de Braga e Vila Franca de Xira. O grupo já assegurou que mantém “toda a confiança na gestão” de Ângelo Ramalho. Resta saber se está disposto a ajudar a evitar um problema social, sabendo que, apesar da recuperação notável, a Efacec tem uma pesada dívida às costas.

Isabel dos Santos chegou à NOS (então Zon), com a compra de 20% da empresa, incluindo ações da Caixa Geral de Depósitos, tendo sido o banco público a financiar a compra – com um crédito de 125 milhões (à Kento) aprovado em vésperas do Natal de 2009. A participação da empresária na telecom (equivalente a cerca de um quarto da companhia) vale hoje mais de 600 milhões em bolsa.

A uma Efacec em apuros chegou em 2015, adquirindo a maioria do capital de uma companhia que somava prejuízos anuais de 90 milhões, através da Winterfell (sociedade em parceria com a estatal angolana Endo), e ficando os acionistas históricos (Mello e Têxtil Manuel Gonçalves) minoritários. Com a aposta na eletrificação da economia, apadrinhada pelo governo, a Efacec renasceu, tendo ultrapassado em 2018 os 14 milhões de euros em lucros.

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