Estado perde 36,1 milhões em dividendos da REN para novos acionistas

Rui Cartaxo sai em abril
Rui Cartaxo sai em abril

O Estado vai abdicar de 36,1 milhões de euros de dividendos da REN relativos a 2011, para os novos acionistas da gestora das redes energéticas, cuja entrada na empresa deverá ser formalizada em abril.

A secretária de Estado do Tesouro e Finanças, Maria Luís Albuquerque, anunciou, em fevereiro, que os dividendos da EDP e da REN seriam para os futuros acionistas da empresa, sendo que se a distribuição ocorresse entre o momento do primeiro contrato celebrado e o momento final da transação o valor seria deduzido ao preço de compra e se fossem distribuídos depois [da concretização da alienação] seriam para quem tem propriedade”.

Assim, os chineses da State Grid vão receber 22,56 milhões de euros ou vão ver este valor abatido ao preço de compra, de 287,15 milhões de euros, por 25 % do capital da REN, enquanto os árabes da Oman Oil Company vão auferir de 13,54 milhões de euros em dividendos ou ter este valor descontado nos 205,06 milhões de euros que ofereceram por 15 % do capital da empresa.

De acordo com o comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a REN decidiu distribuir cerca de 90,2 milhões de euros de dividendos, o que representa 75,85 % do resultado consolidado no exercício de 2011, que ascendeu a 120,6 milhões de euros.

Assim, a REN propõe uma distribuição de um valor de dividendo bruto por ação de 0,169 euros, um valor acima dos 0,168 por ação atribuídos há um ano, que será decidido na assembleia-geral de acionistas agendada para 27 de março.

Na passada quinta-feira, na apresentação dos resultados relativos a 2011, o presidente da REN, Rui Cartaxo, havia adiantado que a administração da empresa iria propor um valor “marginalmente superior” ao do ano passado.

“Nós vamos propor um dividendo em linha com o do ano anterior. Será marginalmente superior, mas basicamente idêntico”, afirmou Rui Cartaxo, na apresentação dos resultados da gestora das redes energéticas, adiantando que “esta decisão cumpre a promessa feita há dois anos de manter o dividendo da REN numa base ligeiramente crescente em termos de montante monetário por ação”.

Contactado pela Lusa, o Ministério das Finanças remeteu esclarecimentos para as declarações da secretária de Estado do Tesouro, na Comissão parlamentar do Orçamento, Finanças e Administração Pública, de 08 de fevereiro, em que a governante explicou que na distribuição de dividendos serão “aplicadas as regras ‘standard’ do mercado”, sendo para os novos acionistas mesmo que o contrato final ainda não esteja assinado na data da distribuição dos dividendos.

O Estado apenas receberá dividendos relativos aos cerca de 11 % do capital que vai manter na REN, depois da alienação da participação de 40 % aos chineses da State Grid e aos árabes da Oman Oil, que correspondem a cerca de 9,9 milhões de euros.

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