Cavaco Silva

Militares fazem vigília em Belém contra o Orçamento do Estado para 2012

Várias dezenas de militares estão em “vigília simbólica” em frente ao Palácio de Belém para pedirem a Cavaco Silva, o comandante supremo das Forças Armadas, que não promulgue o Orçamento do Estado para 2012.

Os militares consideram que o Orçamento, hoje aprovado pela Assembleia da República, é “extremamente penalizador” para as Forças Armadas, “instituição que tem por missão defender a soberania e a independência nacional”, disse o presidente da Associação Nacional de Sargentos, Lima Coelho, que estima que são 200 os militares concentrados em Belém.

“Não se pode aplicar cegamente os cortes [orçamentais decididos pelo Governo] à instituição militar”, afirmou Lima Coelho, acrescentando que os militares “não querem ficar fora do esforço nacional” para equilibrar as contas públicas, “mas a missão da instituição militar não pode ficar em causa”.

O sargento, que falava em nome das três associações socioprofissionais do setor, acrescentou que “quando os militares chegam ao limite de ter de se manifestar isso é preocupante”, além de ser também “um desgosto”.

“Quem tem o poder político de decidir deve analisar [estes protestos] de forma fria e não deixar-se embalar no canto de alguns comentadores que querem desvalorizar” as manifestações dos militares”, acrescentou.

Neste momento, os militares esperam conseguir entregar um documento aos serviços da Presidência da República em que pedem a Cavaco Silva que tome uma atitude em relação ao Orçamento, sublinhando que o Chefe de Estado “tem toda a autoridade para se pronunciar e ouvir os que servem o país nas Forças Armadas”.

Em concreto, a Associação Nacional de Sargentos, a Associação dos Oficias das Forças Armadas e a Associação de Praças querem que o Presidente “no mínimo” questione a constitucionalidade do Orçamento e “no limite” que vete o documento.

Segundo Lima Coelho, a vigília que decorre em Lisboa é “simbólica” e pretende “marcar uma posição”, não tendo os militares a ambição de serem recebidos hoje pela Presidência da República, querendo apenas entregar o documento aos serviços para que “chegue a quem de direito”.

A vigília de hoje foi decidida a 12 de novembro, no final de uma manifestação em Lisboa convocada pelas mesmas associações e que, segundo os seus dirigentes, reuniu mais de 10.000 pessoas “maioritariamente militares”.

Os militares estão todos vestidos à civil e não entoam palavras de ordem. Vários exibem apenas as bandeiras das associações que os convocaram e na frente da concentração há alguns cartazes expostos onde se leem frases como: “Dignificação da condição militar”.

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