Alberto Castro

Alberto Castro

Leviatã

Como já aqui escrevi, tenho as maiores dúvidas que a resultante das negociações do PS com os seus habituais compagnons de route possa ser a base da política de desenvolvimento de que o país carece. A razão é simples: nessa visão, o Estado será o protagonista quase único. Faz parte do seu credo e essa fé viu-se reforçada com o inevitável papel que as políticas públicas têm de ter no combate às consequências da pandemia instalada. Para além do dichote primário, desinformado ou trumpiano, tanto faz, do género "então os liberais agora clamam pela intervenção do Estado?", releva, sobretudo, a vocação intrusiva, excludente e desmedida, seja em âmbito ou recursos, atribuída ao Estado. Regulação é um eufemismo para poder discricionário, sobretudo quando estão em causa grandes (mesmo que seja só à nossa escala) empresas. A desmesura do âmbito das funções ansiadas, dá razão à metáfora do Leviatã: monstruoso, único e universal. Como não podia deixar de ser, o monstro é insaciável, requerendo mais e mais recursos que apareceriam milagrosamente, seja pela expropriação fiscal, seja pelo funcionamento um modelo económico ficcionado, ao pior estilo neoclássico, em que o motor está do lado da procura e os efeitos são, por hipótese, sempre benéficos.