António Pais Vieira

Consultor

O desperdício da educação e o deprimente doente crónico da Europa

O Estado português é famoso pelos péssimos negócios em que nos enterra regularmente. Da CGD ao BES, da TAP à RTP, da Parque Escolar às PPP rodoviárias, os exemplos são mais do que muitos e do conhecimento geral. Mais discreto, mas possivelmente de muito maior importância para o país, está o desperdício que faz na Educação. Debaixo do manto da tão proclamada "paixão" o país anestesia-se e evita ao máximo ter qualquer conversa sobre quem estamos a formar e com que objetivos.

ANTÓNIO PAIS VIEIRA

Os liberais e a defesa do Estado

Um dos maiores e mais recorrentes equívocos nas redes sociais e nos media portugueses é a afirmação de que os liberais odeiam o Estado. Este ataque é quase diário, inclusive vindo de comentadores e opinion makers cuja experiência e fama lhes deveria obrigar a um pouco mais de atenção ao que os tais liberais efetivamente defendem. Por alguma razão parecem confundi-los com anarquistas e sempre que ouvem algum liberal a defender a intervenção do Estado aqui ou ali, excitam-se como se tivessem ganho a raspadinha da Cultura. Julgam até que quando um liberal exige que o Estado faça o seu trabalho, que estará a trair a sua causa. Temo informá-los que não é o caso. Tanto quanto sei, Hayek e Stuart Mill descansam impávidos e serenos quando Cotrim Figueiredo exige ao Governo que seja competente, cumpra as suas funções e acuda os portugueses.

O diabo está nos detalhes

A esperança neste plano começa a dissipar-se à medida que avançamos no documento e nos apercebemos que investimentos, reformas e apoios passam quase exclusivamente pelo Estado. Grande parte dos fundos europeus será canalizada para as sempre expansivas instituições estatais, cada vez mais dependentes destes e condenando o país a mais impostos e dívida no futuro. Aliás, uma das partes mais impressionantes desde documento é que nenhum investimento tem qualquer tipo de retorno ou custo futuro contabilizado.