Filipe Morais

Mudar para poder recuperar

A Cimeira Social do Conselho Europeu arrancou ontem no Porto como o ponto alto da presidência portuguesa da UE. António Costa quer que esta cimeira seja um marco dos últimos meses, tal como o Tratado de Lisboa foi em 2007, e deixou o caminho balizado: quer apostar no digital e num Estado social forte. No Porto, todos apontaram o Pilar Europeu dos Direitos Sociais, apresentado em 2017, como o caminho a seguir para recuperar da crise sanitária e económica. Os objetivos estão definidos até 2030: pelo menos 78% da população empregada; 60% dos trabalhadores a receber formação anualmente e retirar 15 milhões de pessoas - cinco milhões das quais crianças -, do risco de pobreza e exclusão social.

A urgência de legislar

A pandemia chegou há mais de um ano para alterar todos os nossos hábitos. Travou a economia, restringiu a liberdade de movimentos para defender uma questão sanitária e obrigou a que fossem encontradas novas soluções, com o teletrabalho a ser a mais eficaz nas profissões que o permitem, graças a todas as novas tecnologias. Há um ano que o teletrabalho foi a solução para proteger grande parte dos trabalhadores e manter empresas, principalmente as de serviços, a funcionar. Há um ano que se criaram condições de exceção para que centenas de trabalhadores mantivessem os seus empregos a partir de casa e há um ano que a urgência do teletrabalho levantou questões e dúvidas: que apoios têm e que proteção devem ter os trabalhadores nesta situação e que até agora têm estado protegidos pelas medidas do estado de emergência que hoje acaba.

Reinaldo Rodrigues/GI

Cama Solidária: Depois da Saúde, agora a ajuda é para a Educação

Uma fila de ambulâncias à frente do hospital de Santa Maria deixou Ricardo Paiágua inquieto e a questionar-se sobre como seria se ninguém ajudasse. A criatividade e o espírito empreendedor - é fundador da agência de criatividade UppOut - fizeram o resto, neste caso sem fins lucrativos. Com um logótipo e um site lançou o Cama Solidária. "Liguei a um amigo e pedi-lhe para me fazer o logo; falei com mais uns e no dia seguinte lançámos o Cama Solidária. Uma amiga de uma empresa de autocaravanas, que até estava a pensar fechar a empresa, emprestou as primeiras e rapidamente chegámos às 60 autocaravanas por todo o país", conta ao Dinheiro Vivo.