João AB da Silva

Economista e investidor

A terra onde o negócio soa familiar

Não é a primeira vez que falo no México, tenho por hábito falar do que gosto e considero promissor. Por algum motivo, na sua revisão sobre economias emergentes, em 2007, a Goldman Sachs incluiu este país entre as principais referências do Next Eleven (N-11), ou seja, no grupo de nações a rivalizar com o G-7 e que, em 2050, iriam liderar a produção de riqueza a nível global. Sobre o futuro, ninguém sabe, apenas podemos fazer projeções. Mas, neste caso, são justificadas.

Bom na dificuldade, melhor na prosperidade

Pelo seu passado histórico ou nem que seja pelo facto objetivo de pertencer aos países de fala portuguesa e castelhana, Portugal tem, ou deveria ter, todas as condições para conquistar um lugar ao sol na Ibero-América. Para isso, no entanto, é necessário entender melhor a disputa geopolítica e geoeconómica em causa nessa parte do globo. Altamente organizada e coordenada, nomeadamente através do Foro de São Paulo, desde os finais dos anos 90 que a rede de movimentos e partidos socialistas tem tido um êxito considerável na tomada de poder em diversos países latino-americanos.

Um lugar ao sol na Ibero-América

Talvez mais preocupado com abençoar a Sino-América que com promover a Ibero-América, na sua recente viagem ao Brasil, Marcelo Rebelo de Sousa resolveu visitar Lula da Silva antes mesmo de se encontrar com Bolsonaro. O nosso Presidente não gosta do Capitão? Entendo perfeitamente, eu também preferia outro. Mas, daí a promover um dos maiores benfeitores do comunismo sul-americano vai uma distância muito grande. Não há boa imprensa que justifique a conivência com a miséria, a fome e a repressão política, entre outras pérolas dos regimes cubano e venezuelano.

Um café e uma jangada, por favor

Agora que estamos prestes a ir de férias imaginemo-nos numa bela esplanada de praia, ao pôr do sol - com ou sem certificado covid, irrelevante para o caso. Na mão esquerda, geralmente a menos útil, mas que mais reivindica o imerecido descanso, talvez um precioso cubano, Cohiba, Partagas ou qualquer outro de top, desde que devidamente fabricado pela miséria que alimenta os nossos sonhos utópicos. Na direita, a que de facto trabalha e bem precisa de férias, pode ser um copo de vinho ibérico, Douro, Alentejo ou Rioja, tinto ou tinto, à escolha do freguês. Com isto e mais um petisco estão reunidas as condições para pensarmos em assuntos importantes. Por exemplo, o papel de Portugal no mundo. No fim, pedimos o café.

A alternativa ao sonho é o pesadelo

No dia 26 de junho, a The Economist noticiou mais uma loucura independentista no Québec. A data do artigo é relevante, já que a 1 de julho se celebrou a Nação - dia em que todo o Canadá sai à rua, cantando o hino de bandeira em riste e escrevendo odes a Terry Fox nas redes sociais. Para quem pensa que a Catalunha é uma dor de cabeça, enquanto o Canadá vive incólume no que toca a independentismos, vale a pena salientar que, nos últimos 20 anos, foi precisamente o nacionalismo quebequense a fonte de inspiração dos delírios catalães. Em particular, pela estratégia democrática que adotaram, com base em eleições e referendos, sejam eles constitucionais ou não.

México: a porta de entrada nas Américas

Quando lemos a palavra México imaginamos, provavelmente, a cena de um filme, com muitas armas, drogas, túneis e mulheres bonitas, à boa moda da Netflix. Na realidade, porém, o México é muito mais que as suas distorcidas imagens hollywoodescas. Sobretudo, agora que os resultados das eleições intercalares fragilizaram grandemente AMLO e o pesadelo Lula paira sobre o futuro do Brasil, deveríamos ver o México como a porta de entrada portuguesa nas Américas, tanto Latina como Anglo-saxónica.

Pelos vistos, ainda não há vistos

Tão focados andam os nossos governantes em discutir a guerra em África, a TAP, o Benfica, o TGV e outros temas de alegado extremo interesse nacional, que as relações entre Portugal e a maior economia do mundo ficam para segundo plano. Em jeito de perspetiva, em 2020 os Estados Unidos da América terminaram o ano com um modesto PIB de 20.93 Triliões de Dólares, tendo subido 4.3% no último quadrimestre. Neste momento, já crescem a uma taxa anual de 6.4%, e isto sem a bazuca Biden, superando o crescimento da larga maioria dos países europeus, incluindo França (5.8%), Itália (4.2%) e Alemanha (3.6%).