Óscar Afonso

Óscar Afonso

Pobreza versus riqueza: o estranho caso da Terra de Miranda

Nesta crónica abordo como o governo pode, por um lado, patrocinar a incoesão territorial e, por outro, a incoesão social assistindo e promovendo a pobreza de muitos e a riqueza de poucos, tomando como referência a Terra de Miranda. Tendo em conta a riqueza das pessoas que aí vivem, os PIB per capita de Miranda e de Mogadouro permitem que os concelhos estejam apenas nas posições 182 e 225, respetivamente. No entanto, tendo em conta a riqueza efetivamente produzida; i.e., contando também a ação das barragens hidroelétricas, de Bemposta (concelho de Mogadouro), e Miranda e Picote (concelho de Miranda), exploradas pela EDP até ao passado dia 17, o PIB per capita de Miranda passa para 5.º e o de Mogadouro para 25.º. Estes valores asseguram-nos que a Terra de Miranda não é pobre, mas que está empobrecida, que a riqueza aí gerada não é transferida para a população local, é extraída para alguns e fora do seu território.

Óscar Afonso

O Euro, a dívida e a atuação do governo em tempo de pandemia

O século XXI trouxe consigo o Euro e crises económicas sistémicas. Com o Euro vieram as taxas de juros baixas, que, porque tão baixas, levaram ao forte endividamento. Não há dúvida que o Euro foi uma bênção, mas para quem não estava preparado para tamanha dádiva acabou por revelar-se também uma maldição. Como costumo dizer, para exemplificar, se antes do Euro a dívida era 100 e a taxa de juro 7% o valor anual dos juros pagos era de 7; porém, se com o Euro a taxa de juro passou para 1%, a dívida passou para 700 e continuou-se a pagar o mesmo montante de juros. Subitamente, desceu a taxa de juro e aumentou o valor da dívida na mesma proporção.

Óscar Afonso

Quem vai salvar a economia?

O coronavírus assusta pela facilidade de contágio e letalidade, especialmente na população mais idosa e nos outros grupos de risco. À escala mundial, os governos têm conduzido políticas para evitar o colapso dos sistemas de saúde e da economia. As empresas, que, em geral, são quem cada vez mais lidera as transformações da sociedade, têm também atuado no sentido de ajudar a amortecer os efeitos do surto. E os indivíduos têm procurado agir com precaução. Ainda assim, face às características do vírus e às medidas coletivas e individuais, a evolução da pandemia é impossível de prever. Neste contexto de receio e instabilidade, a única certeza que existe é que só com um esforço conjunto de todos os agentes há possibilidade de evitar o colapso dos sistemas de saúde e da economia.