Óscar Afonso

Óscar Afonso

As duas "décadas perdidas"

Apesar do nível de vida em Portugal ser bem melhor que na generalidade dos países à escala mundial, os portugueses estão, com razão, cada vez mais apreensivos e preocupados. Na sequência da pertença à União Europeia (UE) foi inicialmente possível melhorar o bem-estar social, mas agora assistimos, por exemplo, à emigração massiva de jovens porque, apesar de todas as ajudas colossais entretanto obtidas da UE, a economia portuguesa deixou de lhes conseguir pagar salários aceitáveis e a esperança no futuro esvaneceu-se. É comum, banal até, ouvir relatos de recém-licenciados a caminho de outros países membros da UE porque, no desempenho da mesma função, passam a auferir 3 ou 4 vezes mais que em Portugal.

Óscar Afonso

E agora Miranda?

Na sequência do ato eleitoral do passado domingo, em Miranda do Douro não ganhou apenas o PSD e o CDS. Ganhou acima de tudo Miranda, ganharam os Mirandeses. Ora os Mirandeses quiseram que ficasse Presidente da Assembleia Municipal. Esta instituição é onde se forma a vontade dos Mirandeses, de todos os Mirandeses, pelo que será a sede do poder municipal, do poder do povo, a casa da Democracia da terra de Miranda. E eu serei o garante da democracia em Miranda, da liberdade, de que a liberdade é um fim em si mesmo, sem entraves, sem consequências, sem perseguições, sem medo.

Óscar Afonso

Fazer de Miranda uma terra de oportunidades

Miranda do Douro não tem razões para se sentir grata aos atores responsáveis pela gestão camarária. Bem pelo contrário! Os sinais que aí estão são de despovoamento - uma terra já desumanizada em 2011 consegue perder mais 1000 habitantes entre censos (2011-2021) -, de erosão do sistema de educação - a ponto de se prever que, a manter-se a trajetória atual deixe de haver estudantes matriculados nas escolas do concelho num espaço de 15 anos -, de perda de rendimento - a atividade económica conseguiu ter um declíneo ainda mais acentuado que o registado ao nível populacional, num contexto em que, do ponto de vista da riqueza criada no território, o concelho é o 5.º concelho mais rico do país e já, do ponto de vista da riqueza efetiva por habitante, está próximo do lugar 200 -, de colapso do sistema de saúde - custa a acreditar que não haja um centro de saúde aberto 24h por dia e que a estrutura existente seja carente de equipamentos e recursos humanos -, de dificuldades acrescidas do comércio e da restauração, bem como da agricultura. Enfim, tudo a que se assiste, infelizmente, é a sinais de um declínio muito acentuado.

Óscar Afonso

Flores do campo e rosas urbanas — o povo e a elite

No auge da época do estio, quem, por esta altura, percorre os campos transmontanos depara-se com um majestoso manto de flores do campo que cobre o chão "que já coberto foi de neve fria". Nas terras de cereal, nas beiras dos caminhos, na lacuna das rochas, as flores do campo são a cor e a vida contrastante com o verde e amarelo das paisagens transmontanas. Muitas nem nome têm, outras são até consideradas tóxicas. Mas, mesmo as mais odiadas pelos agricultores acabam por ser aproveitadas com diversos fins; algumas são apenas comida para os animais, tal como uma outra erva qualquer. Longe das pragas citadinas, as flores do campo erguem-se no esplendor da vida, livres, espontâneas, humildes na sua essência, num jardim inebriante, que se demarca da futilidade, inautenticidade e invencionice das rosas urbanas.

Óscar Afonso

Saúde no interior – o seguro de saúde municipal

Depois de, em 2015, a Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo, ter implementado o Seguro de Saúde Municipal, também a candidata à presidência da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Dra. Helena Barril, anunciou a intenção de oferecer um seguro de saúde semelhante aos munícipes do concelho. Assegura que o objetivo é prevenir a doença, prolongar a vida e promover a existência saudável, porque o município deve ser um verdadeiro ente de fins gerais, com um papel e ação cada vez maiores na promoção do bem-estar e na satisfação das necessidades das suas populações.

Óscar Afonso

Vou falar-vos da minha Terra, Miranda

Vou falar-vos da Terra onde se localiza a mais oriental cidade lusa, onde primeiro nasce o sol em Portugal e onde ainda se mantém viva a "Lhéngua Mirandesa". Situada num planalto, forma uma escultura natural com as arribas do Douro internacional, criando um cenário que abrilhanta a vista e testemunha as minhas memórias sobre um tempo bem diferente do atual. Hoje, com muita tristeza, digo serem escassas as vezes que todo este cenário se cruza com presença humana.