Rosália Amorim

Jornalista

Sou jornalista há mais de 20 anos e desde 3 de outubro de 2016 sou Diretora Editorial do Dinheiro Vivo. Antes disso, fui Diretora Executiva da Media Rumo (revista de economia Rumo, jornais Mercado e Vanguarda), que é parceira estratégica da Global Media Group. Fui Coordenadora de Economia do Jornal Expresso, Editora e Coordenadora-Geral da Revista Exame e, em simultâneo, comentadora do Jornal de Economia da SIC Notícias, de 2005 a 2015. Fui Coordenadora da Revista Única do jornal Expresso, Coordenadora da revista Intelligent Life/The Economist e Editora-Chefe da revista VOCÊ SA. Antes, fui jornalista e pivô de informação na Rádio Comercial. Sou autora do livro “O Homem Certo para Gerir uma Empresa é uma Mulher” (PrimeBooks, três edições), fui co-autora de “O Livro do Bem-Estar” com Rosa Lobato de Faria (Edimpresa) e fundadora e autora do blogue “Executivos Sem Gravata”, no site do Expresso. Sou licenciada em Relações Internacionais (Universidade Lusíada de Lisboa) e com formações diversas em Economia e Jornalismo pelo INSEAD, FLAD, Cenjor, Euronext Lisbon e Nova Business School. Sou frequentemente convidada como oradora e moderadora de conferências. E adoro contar boas histórias de vida, carreira, gestão e liderança.

Rosália Amorim

Como correr contra o tempo, sem descarrilar?

Governo fez uma espécie de ensaio para o diálogo, mas afinal aprovou o orçamento sozinho. Nenhum partido da oposição votou ao lado do Executivo a favor do OE2023. Mais de 90% das propostas da oposição foram chumbadas, só o Livre e PAN - adversários sem peso nem expressão - viram um conjunto de medidas serem viabilizadas. Ainda assim, toda a oposição discorda da lente que o governo usa para olhar o ano de 2023. Quando o Banco Mundial, a OCDE ou a Moody"s preveem um crescimento menor do que é previsto pelo Executivo, são muitas as desconfianças que se avolumam na casa da democracia e também na casa de todos os portugueses.

Rosália Amorim

A frieza germânica e o calor do OE2023 

A gasolina em Portugal é uma das mais caras da União Europeia. Particulares e empresários queixam-se dos aumentos consecutivos nos combustíveis. 11,5 cêntimos no gasóleo e 7 cêntimos na gasolina são as subidas estimadas para segunda-feira. Não há quem aguente pagar tamanhas faturas, que são cada vez mais gordas. Na eletricidade e no gás, mas também nos alimentos e nas prestações de crédito à habitação, a conta mensal não para de subir. Os portugueses têm vindo a perder poder de compra mês após mês e as empresas perdem competitividade, comprometendo o seu futuro.

Rosália Amorim

Os que apertam e os que alargam o cinturão

O Conselho de Finanças Públicas preocupou-nos e, de certo modo, descansou-nos esta semana. Se, por um lado, avançou que "não é de excluir uma recessão, por outro, informou o país de que o governo tem margem orçamental efetiva, ou seja líquida, de 700 milhões de euros, até mais, ainda este ano e apesar da crise. Na prática, a folga orçamental daria para descer o IRC de 21% para 13% ou 14% durante um ano. Se houvesse coragem para tal, seria um gigantesco estímulo para o setor empresarial. Hoje os patrões afirmam que já ficariam satisfeitos com uma descida de dois pontos percentuais e mantêm essa expectativa para o Orçamento do Estado de 2023.

Rosália Amorim

Mais uns furos no cinto para novo apertão

Aperto à vista! O BCE subiu 75 pontos base na taxa de juro, a maior subida de sempre, elevando agora a taxa diretora para 1,25%. Decisão que mexe com as Euribor e as prestações da casa. Um empréstimo de 150 mil euros pode vir a pagar mais cem euros por mês. Não é pouca coisa para quem vive com os cêntimos contados e comidos pela inflação. Tudo está mais caro, dos alimentos à energia. Antecipa-se um forte aperto do cinto em cada casa portuguesa onde nem sempre há pão e vinho sobre a mesa.

Rosália Amorim

Não é ficção. Um país da OCDE tem 78,6% de crescimento homólogo da inflação

Terá mesmo falecido a "vingança do consumo" na última primavera ou os portugueses guardaram todas as poupanças para gastar nas férias de verão? Depois da pandemia, a economia esperava uma "vingança do consumo", uma espécie de bebedeira de compras após os confinamentos. A expectativa dos agentes económicos foi defraudada, dizem os mesmos, e a subida dos preços das matérias-primas começou por anular esse efeito tão aguardado. Este verão, mesmo com a fatura mais cara nos combustíveis, gás, luz e no cabaz alimentar, o consumo disparou. O cenário não é totalmente azul e solarengo em pleno agosto, mas os hotéis estão cheios ou esgotados, com preços recorde (leia o artigo ao lado, nestas páginas) e não são só os estrangeiros que os reservam, mas também os portugueses; os restaurantes estão à pinha e os centros comerciais também. Não há mãos a medir no comércio e no turismo, afiança quem trabalha nesta área, de norte a sul do país. Só vamos saber quanto gastou em média cada turista interno e externo quando chegarmos ao final da época de veraneio, mas, para já, os agentes económicos esfregam as mãos de contentes.

Rosália Amorim

Diversificar e qualificar são palavras com futuro

Diversificação, precisa-se! Angola está de luto pela morte de José Eduardo dos Santos. Também conhecido como o arquiteto da paz, deixa um país reconciliado, mas também pobre. Cabe agora a João Lourenço, o presidente em exercício, colocar o país no rumo do desenvolvimento e dinamizar os vários setores da economia. Viver apenas do petróleo já não basta. O agrobusiness, o turismo, a indústria, a construção têm forte potencial e as empresas portuguesas podem ajudar através de parcerias e de partilha de know how.

Rosália Amorim

Marca. Que marca?

Durante décadas o mercado foi invadido, influenciado, e até por vezes dominado, pelos marketeers. Especialistas em promover e em conseguir vender este mundo e o outro, criaram as maiores campanhas, conceitos, narrativas e o storytelling. Hoje tudo isso ainda é válido, inclusive o contar de histórias com coração, paixão e propósito. Mas atualmente os consumidores pedem mais do que grandes campanhas de marketing e publicidade, mais do que vendilhões, publicitários e teorias dos ditos gurus.

Rosália Amorim

Menos tricas, mais foco e trabalho

Fechado que está o último capítulo da crise política, com a aprovação do Orçamento Geral do Estado para 2022, é altura de olhar em frente e preparar caminho no roteiro para o crescimento e para a competitividade. As empresas não se movem com discussões parlamentares, acusações entre bancadas, extremismos ou tricas políticas. As organizações privadas precisam de estabilidade governativa e económica para focar, de uma vez por todas, no que é importante: trabalhar, crescer, inovar e expandir.

Rosália Amorim

Vem aí a guerra da comida?

Primeiro foi um vírus com origem na China. Depois foi um invasor com origem na Rússia. Agora é a comida que pode provocar uma guerra, com origem em todo o lado. A diretora executiva do Fundo Monetário Internacional (FMI) avisou, no final desta semana, que a insegurança alimentar vivida em muitos países, aliada à alta inflação, leva a situações de fome, "que muitas vezes desencadeia agitação social e violência". É preciso manter os olhos bem abertos para este tipo de convulsões.

Rosália Amorim

Falta fazer as contas

Enquanto o conflito na Ucrânia durar, não abranda a guerra dos combustíveis. A alta de preços colocou muitas empresas e famílias nos limites da sobrevivência devido ao custo elevado destas matérias-primas. Segundo o ministro das Finanças, Fernando Medina - que ontem falou no âmbito da audição na Comissão de Orçamento e Finanças (COF) sobre a proposta do Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) -, "cada português paga hoje menos 27 cêntimos por litro" de combustível do que pagaria sem as medidas fiscais implementadas pelo governo para mitigar o impacto dos preços da energia.

Rosália Amorim

Guerra na Ucrânia leva a navegação à vista em Portugal?

E agora inflação? Até onde vai a subida da taxa que atormenta a carteira dos portugueses? Em março, atingiu os 5,3%, a maior em quase três décadas de democracia. O poder de compra desaparece mês após mês e à medida que a guerra na Europa se agrava.
Serão necessárias medidas para contar estes impactos e o programa de governo vai ter, natualmente, de sofrer ajustes. Os retoques - alguns anunciados na quinta e sexta-feira pelo governo no parlamento - poderão não vir todos de uma só vez, afinal, a incerteza política e económica deverá exigir uma espécie de navegação à vista. Mas é preciso prevenir para depois não ter de remediar.