aviação

Com menos lugares, preço dos bilhetes dispara ou aviões ficam em terra

Várias companhias de aviação aderiram ao lay-off. Fotografia: Patrícia de Melo/AFP
Várias companhias de aviação aderiram ao lay-off. Fotografia: Patrícia de Melo/AFP

Bruxelas anuncia esta quarta-feira as medidas que vão permitir retomar os voos na Europa.

Bruxelas deve emitir nesta quarta-feira recomendações para as companhias aéreas retomarem a atividade com limite de passageiros. Transportadoras avisam para risco de falência.

Se a lotação dos aviões for reduzida, o preço dos bilhetes vai subir pelo menos 50%, avisam as transportadoras, quando Bruxelas se prepara para anunciar as medidas que permitirão retomar os voos na Europa.

O governo português criou regras excecionais para os voos operados neste período de pandemia, que a transportadora nacional tem cumprido: “A TAP não tem qualquer caso de sobrelotação nos voos e respeita a limitação dos dois terços de ocupação definida pelas autoridades portuguesas”, sublinhou fonte oficial da companhia ao Dinheiro Vivo, numa altura em que passageiros espanhóis denunciaram voos lotados na Iberia.

Mas não há viabilidade financeira que aguente essa limitação durante muito tempo. De acordo com a IATA, associação do setor, manter uma ocupação de dois terços faria disparar os preços dos bilhetes de avião em 43% e 54% e condenaria à morte praticamente todas as transportadoras. Só quatro em 122 companhias aéreas de todo o mundo poderiam sobreviver a essa medida, estima a IATA, citada pelo El País.

Nesta quarta-feira, a Comissão Europeia deve emitir as recomendações que a aviação e o turismo devem seguir para retomar das suas atividades e que passarão pelo uso obrigatório de máscaras nos voos, conforme defendeu a comissária europeia dos Transportes, Adina Vălean, eliminação de certos serviços a bordo, medição de temperatura e medidas de higiene reforçadas. A ideia de deixar lugares vazios entre passageiros também está em cima da mesa, ainda que a comissária não o defenda e as companhias aéreas avisem que essa medida levaria a ainda maiores prejuízos.

Ao nível dos governos europeus, não há unanimidade quanto às medidas a adotar. O ministro português da Economia, Pedro Siza Vieira, defende a utilização de máscara nos voos, mas exclui a necessidade de lugares vazios. À semelhança de outras companhias mundiais, a gigante alemã Lufthansa também já determinou o uso de máscara, mas deixou cair os lugares do meio vagos nas classes económicas, alegando que a máscara “garante a proteção necessária. E se Paris alinha no mesmo discurso, Madrid, onde hoje não há lei que limite a lotação, não concorda: o secretário de Estado espanhol dos Transportes, Pedro Saura, defende que “a distância física é mais uma medida a ter em conta para garantir a segurança nos aviões”.

Low cost mais vulneráveis

O distanciamento social, a ser aplicado nas aeronaves, seria ainda mais penalizador para as low-cost, uma vez que é justamente pelo maior número de lugares disponíveis (cadeiras mais pequenas e menos espaço entre filas) e serviço reduzido que estas companhias conseguem esmagar preços.

“Se o lugar do meio tiver de ficar vazio, a Ryanair vai manter a sua frota em terra”, garantiu em entrevista ao Financial Times o presidente da companhia, Michael O’Leary. Nas últimas horas, o presidente executivo da low cost, Eddie Wilson, admitiu à Lusa perdas de 100 milhões de euros entre março e junho devido aos cancelamentos, admitindo que a operação em Portugal está a ser avaliada e abrindo a porta a despedimentos. Também o diretor-geral da easyJet para Portugal, José Lopes, já avisara que limitar os lugares nos aviões fará subir “exponencialmente” os preço, pondo em risco a sobrevivência das companhias.

A IATA estima que as perdas na aviação provocadas pela pandemia e pelas consequentes limitações às viagens somem 300 mil milhões. Quase um terço dessa queda afetará as companhias europeias. Somar a essas perdas novas limitações, “infligiria um dano brutal às companhias sem melhorar verdadeiramente a segurança sanitária”, alerta o diretor financeiro da associação do setor, Brian Pearce, citado pela imprensa espanhola.

A fabricante francesa de aviões, Airbus, concorda e reforça: “O avião é provavelmente uma das melhores formas de viajar no mundo pós-covid-19 porque o sistema de ventilação das cabines está desenhado para purificar o ar que circula de cima para baixo, não da frente para trás ou da esquerda para a direita. Durante o voo, o ar da cabine é reciclado a cada dois ou três minutos. Os nossos aviões estão equipados com os mesmos filtros que são utilizados nos hospitais”, garante Guillaume Faury, CEO da Airbus, em entrevista ao El País.

Reembolsos por vouchers

Entre as recomendações que Bruxelas se prepara para fazer nesta quarta-feira ao setor está ainda a emissão de vouchers para reembolsar os passageiros de voos cancelados neste período – algo que a portuguesa TAP já pratica, quer para cancelamentos quer mesmo para quem opte por não viajar, ainda que o voo se realize.

Uma versão preliminar do documento, a que agência Reuters teve acesso, indica que as companhias de aviação e agências devem dar aos passageiros e turistas vouchers tanto para voos como para planos de férias cancelados devido à pandemia. Estes vouchers devem ter uma validade de 12 meses.

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