aviação

Injeção na TAP deverá rondar os mil milhões de euros

Fotografia: Mário Cruz/EPA
Fotografia: Mário Cruz/EPA

A TSF avança que os valores ainda não estão fechados mas que a injeção na companhia aérea deverá ser na ordem de grandeza de mil milhões de euros.

O montante do apoio que a TAP precisa ainda não está fechado. O Estado e os acionistas privados da companhia aérea têm mantido reuniões nas últimas semanas e, de acordo com a TSF, a métrica que será usada na TAP deverá seguir a rota usada por outras companhias aéreas na Europa. E o montante a injetar deverá ser na casa dos mil milhões de euros.

A TAP, tal como a maioria das companhias aéreas na Europa, foi fortemente afetada pela pandemia do novo coronavírus. Os receios da população em viajar e, posteriormente, a aplicação de restrições de movimentos em quase todo o continente levaram a cancelamentos atrás de cancelamentos até que a transportadora aérea, em abril e parte de maio, realizou apenas cerca de uma dezena de voos por semana, nomeadamente para as regiões autónomas. Perante este cenário, cerca de 90% dos cerca de dez mil funcionários da empresa foram colocados em lay-off.

O montante e o modelo em que a ajuda vai chegar à transportadora ainda não está definido. Segundo a TSF, a métrica que vai ser usada para calcular as verbas não deverá ser muito diferente da que tem sido usada por outros estados no Velho Continente: um rácio entre o número de aviões e o número de passageiros transportados no ano passado.

A TAP transportou em 2019 pouco mais de 17 milhões de passageiros e a sua frota conta com 105 aeronaves. Por isso, e de acordo com a rádio, o valor que, tanto Estado e acionistas privados têm em cima da mesa, é na casa dos mil milhões de euros, podendo ser um pouco acima, embora não muito mais.

Além do valor, há também a questão de como vai ser injetado na TAP. O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, que tutela a área, esteve esta semana no Parlamento e disse que era ainda necessário entender se o consórcio Atlantic Gateway (acionistas privados) tinha capacidade para acompanhar o Estado no apoio financeiro à companhia. A TSF avança que, para já, parece estar afastado o cenário de um aumento de capital em parcelas iguais, que é a única solução que não precisava de luz verde de Bruxelas. Tanto David Neelman como Humberto Pedrosa, do consórcio Atlantic Gateway, não terão até agora manifestado disponibilidade para isso.

Assim, há três opções em cima da mesa: um apoio temporário – essencialmente dívida privada com garantias do Estado até 90% -, a chamada compensação de danos – onde o Estado pode garantir até 100% -, ou um apoio de emergência que implica uma reestruturação da companhia.

Aos privados, a opção de compensação de danos é a que mais agrada, escreve a TSF. Mas ainda não há uma decisão. O governo enviou para a Comissão Europeia questões para clarificar cada um das opções.

Contudo, seja qual for a opção seguida – empréstimo público ou empréstimo privado mas garantido pelo Estado – se a houver um incumprimento por parte da TAP, esses empréstimos devem converter-se em ações do Estado. A nacionalização ou insolvência da empresa são, todavia, cenários para já afastados.

O tempo não corre a favor da TAP. Sem grandes receitas a entrar, dado que a maioria da frota está em terra, a situação financeira é complexa e só não há campainhas a tocar porque estão a ser adiados pagamentos a fornecedores. A solução terá de ser fechada neste mês de junho.

Com o setor da aviação com prejuízos elevados e sem ser possível ainda prever quando é que vai retomar para níveis anteriores aos da pandemia, a TAP precisa de uma reestruturação. Mesmo que não precisasse de apoio do Estado, os acionistas privados acreditam que a empresa teria de passar por este processo, avança a rádio.

Esta reestruturação deverá passar por reavaliar rotas disponibilizadas, aviões e até, eventualmente, número de funcionários.

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