aviação

Portugal pode chumbar e não conseguir ponte aérea com o Reino Unido

Grant Shapps
D.R.
Grant Shapps D.R.

A lista de vencedores de corredores turísticos com o Reino Unido será conhecida esta semana. Portugal pode ser chumbado.

Portugal pode ser excluído da lista de destinos com que o Reino Unido fará acordos de corredores turísticos. Há uma grande incerteza neste momento, esperando-se um anúncio formal do governo ainda esta semana – quarta-feira, possivelmente.

Ao contrário do esperado, a 29 de junho o governo britânico não anunciou a tão esperada lista de países com ponte aérea, oito semanas depois do primeiro-ministro Boris Johnson ter anunciado a necessidade de quarentena por todas as pessoas que chegassem ao Reino Unido.

Contudo, no mesmo dia, o secretário de Estado dos Transportes Grant Shapps confirmou em comunicado de imprensa que “em breve o governo começará a facilitar as medidas de saúde nas fronteiras, permitindo que certos passageiros fiquem isentos da necessidade de auto isolamento por 14 dias em determinadas circunstâncias na chegada ao Reino Unido – tanto chegando por via ferroviária, marítima, como por transporte aéreo.”

Segundo a BBC, o anúncio formal deve acontecer quarta-feira dia 1 de julho. Depois, espera-se que os corredores aéreos, um acordo recíproco entre dois países que permite que os turistas viajem sem restrições, entrem em vigor a 4 de julho.

Isto significa que os turistas do Reino Unido poderão visitar países com baixas taxas de infeção por coronavírus sem terem de ficar em quarentena por 14 dias quando retornarem – e as pessoas nesses países poderem viajar para o Reino Unido sem terem de ficar em quarentena na entrada.

Ter uma ponte aérea entre Portugal e o Reino Unido significa que os britânicos possam viajar para o exterior novamente, mesmo que em viagens consideradas não essenciais, como as turísticas, e que a quarentena será levantada para quem regressar ao Reino Unido a partir dos destinos com este tipo de acordo.

Sistema de semáforo

Na mesma comunicação ao país, o responsável politico disse ainda que o governo, mais precisamente o Joint Biosecurity Centre, assessorado pelo Public Health England e pelo Chief Medical Officer, desenvolveu um sistema de categorização de países e territórios com base no risco que apresentam para a saúde pública.

Na prática, é um semáforo que classifica os países de acordo com a prevalência do coronavírus. “Verde” significa que são destinos mais seguros do que o Reino Unido, “laranja” significa que estão no mesmo patamar do que o Reino Unido e, portanto, não há necessidade de quarentena à entrada; e “vermelho” significa que quem chega, na volta das suas férias, tem necessariamente de ficar em auto isolamento por 14 dias numa morada a fornecer às autoridades.

Os indicadores que alimentam este sistema são “a prevalência de coronavírus no país, o número de novos casos, e a trajetória potencial da doença nas semanas seguintes”, enuncia Shapps.

Como é calculado o risco do país? A comparação é feita com o rácio de infeção no Reino Unido nas duas semanas anteriores. Por exemplo, no Reino Unido, nos 14 dias anteriores a 22 de junho, o número de novos casos em 100.000 pessoas, foi de 27.3.

Vencedores das pontes aéreas

Embora ainda sem certezas, há uma lista de países com luz “verde” e “laranja” que circulam na imprensa britânica como vencedores das pontes aéreas. A primeira fase inclui países de baixo risco de infeção por coronavírus e onde se espera que estejam muitos destinos europeus, como a França, Espanha, Itália, Países Baixos, Bélgica, Alemanha, Grécia, Turquia, Noruega e Finlândia.

Quanto a Portugal e à Suécia há muitas dúvidas devido ao facto de terem registado taxas crescentes de infeção por Covid-19 nas últimas semanas.

Portugal, que no início do confinamento era elogiado como caso de sucesso e parecia estar a controlar melhor a situação do que Espanha, tem visto as taxas subirem. “Há relatos de pessoas que não observam as restrições de bloqueio”, diz o The Telegrah.

Para termos uma ideia, aquele jornal fez as contas: em Portugal, a taxa de infeção nas duas semanas anteriores a 22 de junho era de 43,2 casos por 100.000 pessoas, ou seja, teve um rácio de infeção de 43.2- enquanto no mesmo período o Reino Unido teve 27.3.

Face à Espanha, a situação de Portugal é abismal – exatamente no mesmo período de tempo, o rácio em Espanha situava-se em 10.1. Mas pior que Portugal está a Suécia, com um rácio de 111,7.

O turismo espanhol, que, tal como o português está a ser muito afetado, recebeu um reforço moral do rei Felipe VI, que recentemente fez questão de visitar uma praia nas Ilhas Canárias. O país teve um dos mais altos índices de mortes no mundo, mas está a ver o nível de infeções a diminuírem de dia para dia.

A Grécia esta semana surpreendeu todos ao estender a proibição de voos diretos que cheguem da Grã-Bretanha até dia 15 de julho.

A França tem registado um declínio significativo no número de casos de Covid-19 nas últimas semanas e abriu a Torre Eiffel assinalando que tem as portas abertas a turistas e que quer ver o turismo a arrancar.

A Itália foi severamente devastado pela doença, com muitos surtos em toda a Europa a serem atribuídos a pessoas vindas do norte da Itália, a primeira zona a ser atingida. Hoje, o país vê as taxas de infeção a caírem continuamente.

O governo holandês anunciou que iria aliviar as medidas para permitir grupos em restaurantes e no desporto, depois de assistir a quedas pequenas, mas sustentadas, no número de casos.

A Turquia disse que as infeções diárias são mais altas do que o previsto, mas não são graves o suficiente para justificar a reintrodução de restrições.

Na Alemanha, além de surtos localizados, como aconteceu numa fábrica de processamento de carne na zona de Gutersloh, o país viu as taxas caírem lentamente.

Apesar de ainda sem certezas, é preferível ser otimista e pensar que o próprio sistema de semáforo que foi montado pressupõe que Portugal possa transitar para o laranja e para o verde no futuro, numa próxima fase de avaliação da viabilidade de uma ponte aérea.

Próximas fases

Resumindo, estas são, para já, as três fases previstas para avaliação dos corredores turísticos.

Primeira fase: França, Itália, Espanha, Grécia e Alemanha. Portugal é incerto, pois houve um aumento nas taxas de infeção nas últimas semanas. Outros “vermelhos” podem ser dados à Croácia, a Malta e à Turquia.

Segunda fase: Dinamarca, Noruega, Finlândia, Holanda, Reunião e ilhas do Caribe de “baixo risco.”

Terceira fase: Vietenam, Singapura, Hong Kong. Há possibilidade de uma ponte aérea com a Austrália. Mas não há planos para uma ponte aérea com os EUA neste estágio, pois a sua taxa de infeção está quase tão alta como a da Suécia.

Aumento das reservas de viagens

A ausência de um anúncio formal não impediu os turistas britânicos de começarem a fazer reservas no fim de semana, aproveitado os preços mais baixos antes do anúncio oficial da lista de pontes aéreas.

Os operadores turísticos confirmaram um grande aumento nas reservas. Por exemplo, a Tui disse que as encomendas têm vindo a aumentar 50% a cada semana que passa, enquanto a Hays Travel, que comprou a Thomas Cook após a falência da operadora no ano passado, disse que os telefones “não paravam de tocar”.

Este fim de semana, as reservas de viagem pelo túnel ferroviário Eurotunel, que liga a Grã-Bretanha à França, foram três vezes superiores às reservas registas no mesmo período do ano passado, revela a BBC.

Anúncio formal esperado esta semana

Esta semana, lê-se no comunicado do responsável pela pasta dos Transportes, “anunciarei mais detalhes, incluindo uma lista completa dos países e territórios que não apresentem risco e que poderão ganhar uma ponte aérea.

Além disso, informou, o gabinete dos Negócios Estrangeiros está a rever os conselhos de viagem. “Mais detalhes serão anunciados ainda esta semana.” Os ministros esperam que o plano permita que as famílias comecem a planear as suas férias de verão na zona do Mediterrâneo e que o setor do turismo britânico comece a recuperar.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Lisboa,  29/09/2020 - Ursula Von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia.
(Paulo Alexandrino/Global Imagens)

Ursula von der Leyen. “Portugal é único e tem agora oportunidades maravilhosas”

Portugal's Prime Minister Antonio Costa speaks during presentation of the European and Portuguese Recovery and Resilience Plans, at Champalimaud Foundation, in Lisbon, Portugal, 29 September 2020. Ursula Von Der Leyen is in Lisbon for a two-day official visit. MÁRIO CRUZ/LUSA

Portugal recorrerá só a subvenções. Empréstimos só quando situação melhorar

ANTONIO COTRIM/ LUSA

Von der Leyen: Instrumento “SURE é um escudo para os trabalhadores e empresas”

Portugal pode chumbar e não conseguir ponte aérea com o Reino Unido