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Santander teve de criar solução de última hora para segurados do Banif

Fotografia: Leonardo Negrão / Global Imagens
Fotografia: Leonardo Negrão / Global Imagens

Seguros. Milhares de clientes com crédito à habitação do ex-Banif ficaram sem seguro de vida. Açoreana vai enviar novas cartas a clientes

Duas semanas. Foi esse o tempo que o Santander Totta afirma ter tido para montar uma solução para os ex-clientes do Banif com crédito à habitação que deixaram de repente de ter seguro de vida. Em comunicado, o Totta garantiu que a seguradora Açoreana, detida agora pela Tranquilidade – do fundo Apollo -, só avisou o banco da denúncia das apólices de seguro no dia 5 de dezembro.

A Açoreana desmente e garante que o banco já tinha conhecimento do fim das apólices desde novembro. Maurício Oliveira, assessor da comissão executiva da Açoreana, afirmou ao DN/Dinheiro Vivo que a seguradora tentou negociar com o Santander Totta uma solução para que os clientes do ex-Banif continuassem a ter seguro de vida.

“Tentámos um entendimento com o Santander mas o banco nunca aceitou. Houve várias conversas com o Santander desde a resolução do Banif. A Açoreana procurou encontrar uma solução para esses milhares de pessoas”, garantiu. E sublinha que a obrigação de avisar os clientes era do Santander Totta, como tomador dos seguros. Ainda assim, a Açoreana enviou cartas a 11 e 17 de dezembro.

Certo é que alguns clientes da Açoreana só receberam o aviso no final de dezembro e até ao início deste mês de janeiro ainda não sabiam como iam ficar, por exemplo, os seus créditos à habitação. Por isso, a Açoreana decidiu enviar “uma nova leva de cartas, com maior clareza e mais detalhadas”, a um grupo de “clientes com mais idade”. Também o Santander notificou os clientes do fim das apólices.

Em causa estão um conjunto de apólices de grupo negociadas entre a ex-seguradora do grupo Banif e o banco do mesmo grupo. São apólices com taxa fixa sobre o capital contratado e que desde 2008 deixaram de admitir novos contratos.

A justificação da Açoreana para não renovar as apólices para 2018 prende-se com “a sua insustentabilidade técnica”. Em troca, a Açoreana propõe aos clientes que ficaram sem seguros uma apólice com taxa variável, cujo prémio aumenta consoante a idade do segurado.

Nos casos mais complicados estão os segurados com mais idade. “Para as pessoas com 68 anos, admito que pode ser difícil conseguirem um seguro de vida. Mas mesmo para essas temos uma solução, embora não possamos garantir que fiquem a pagar o mesmo prémio que pagavam”, adiantou Maurício Oliveira.

A ex-seguradora do Grupo Banif, que agora está nas mãos do fundo norte-americano Apollo, ressalvou que a sua decisão vai implicar perda de receitas, sem precisar o montante. E lamenta a entrega tardia da correspondência.
Regulador analisa caso

A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões indicou ao DN/Dinheiro Vivo que “tomou conhecimento e está a analisar a situação”.

Também a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) “tem recebido diversos contactos de consumidores preocupados e a solicitar o apoio”, estando a preparar uma resposta. Quanto à Associação Portuguesa de Seguradores, “não se pronuncia sobre decisões e estratégias comerciais dos seus associados”.

A Açoreana criou uma linha de apoio específica e o Santander garante que nenhum cliente ficará sem seguro de vida. O banco apresentou uma proposta preparada pela seguradora Ageon Santander Portugal, que será aplicada caso a caso. “Todavia, têm a liberdade de optar por outras soluções”, indicou o banco.

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