CGD

Os motivos para a greve na CGD na próxima sexta-feira

Paulo Macedo, presidente da Caixa Geral de Depósitos. Fotografia: ANTÓNIO COTRIM/LUSA
Paulo Macedo, presidente da Caixa Geral de Depósitos. Fotografia: ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Entre as alterações previstas no novo Acordo de Empresa proposto, as promoções automáticas por antiguidade desaparecem

Dois sindicatos convocaram uma greve dos trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) para a próxima sexta-feira, dia 24 de agosto.

A denúncia unilateral do Acordo de Empresa (AE) por parte da administração do banco público é o principal motivo para o agendamento da paralisação.

A administração da Caixa, liderada por Paulo Macedo, propôs um novo AE com clausulas lesivas para os trabalhadores do banco face ao acordo vigente desde 2016 mas também piores, em alguns casos, do que as praticadas no setor. Por exemplo, o novo AE proposto deixa os trabalhadores da CGD sem assistência na saúde.

O facto de a denúncia ter sido comunicada no dia em que a CGD apresentou os seus resultados do primeiro semestre de 2018, com o banco a anunciar um lucro líquido de 194 milhões de euros, caiu mal junto dos trabalhadores e dos sindicatos.

O Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD (STEC) e o Sindicato dos Trabalhadores da Atividade Financeira convocaram a greve para dia 24 de agosto. Tanto o Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários como a Febase-Federação Nacional do Sector Financeiro preferem partir para a negociação.

Argumentos

A administração da CGD quer aproximar os custos salariais com os trabalhadores do banco com os praticados pelo setor, noticia o Expresso na edição impressa deste sábado.

Entre as alterações previstas no novo AE proposto, as promoções automáticas por antiguidade desaparecem. Nas promoções por mérito deixa de haver qualquer tipo de regulamentação. Os trabalhadores deixam de ter preferência no preenchimento de postos de trabalho. São ainda eliminadas as anuidades.

Além do AE, o STEC lembra, no aviso de convocatória de greve, que os trabalhadores e aposentados da CGD estão desde janeiro de 2010 com o mesmo vencimento e a mesma pensão de reforma.

Contudo, recorda que em setembro de 2016, o governo decidiu aumentar as remunerações da administração do banco, em mais de 100%, invocando razões de desigualdade face à concorrência.

Foi com a chegada de António Domingues à liderança da CGD que a folha salarial dos administradores do banco público engordou. A justificação foi a de alinhar os salários da administração da CGD com os praticados no setor. António Domingues passou a ganhar um salário bruto mensal de 30.214,29 euros superior em 13,6 mil euros ao do seu antecessor, José de Matos.

A administração de Paulo Macedo beneficiou das mesmas remunerações da gestão anterior.

Para os trabalhadores do banco estatal, Paulo Macedo propõe agora uma atualização salarial de 0,35%.

O banco público foi alvo de uma operação de recapitalização que implicou a implementação de um plano estratégico negociado entre o governo e Bruxelas em 2016. O plano prevê a redução do número de trabalhadores, encerramento de balcões e venda de operações no exterior.

Uma das consequências é que a CGD, que já teve a maior rede de balcões bancários do país, passou a deter a quarta maior rede de agências, perdendo uma posição para o Millennium bcp.

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